A Serra da Estrela é uma cadeia montanhosa de Portugal Continental onde se encontram as maiores altitudes, constituindo a sua segunda mais alta montanha, cuja cota máxima de altitude é atingida aos 1.993 metros junto à Torre, apenas superada pela Montanha do Pico, nos Açores, com 2.351 metros.
Pertence à mais vasta cordilheira denominada Sistema Central, no subsistema designado por Sistema Montanhoso Montejunto-Estrela, que se desenvolve no sentido Sudoeste-Nordeste desde a Serra de Montejunto, e tem, como cume-pai, o Pico Almançor.
Integrada no Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) desde a sua instituição, em 16 de Julho de 1976, representa a maior área protegida em solo português. O Parque Natural abrange o essencial do maciço da Estrela, estendendo-se por território dos concelhos de Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia.
No Parque Natural da Serra da Estrela podem distinguir-se cinco principais unidades paisagísticas: o planalto central, os picos e algumas cristas que se estendem a partir destes, os planaltos a menor altitude, as encostas e os vales percorridos por linhas de água.
Aqui encontra-se o ponto mais alto de Portugal continental e parte importante de três bacias hidrográficas (Douro, Tejo e Mondego). A paisagem superior da serra, por ter sofrido uma forte influência da glaciação quaternária, possui uma morfologia peculiar.
Os rios Mondego e Zêzere traçam na Estrela vales longitudinais, seguindo um percurso semelhante, para irrigarem o sopé da montanha do planalto superior. A grande precipitação e os períodos de descongelação, que ocorrem na Serra da Estrela, são escoados pelos Rios Mondego, que vai directamente para o Atlântico na Figueira da Foz, e Zêzere, afluente do Tejo, em Constância. Também o não menos importante é o Rio Alva, este afluente do Mondego.
A energia provocada pela altitude e declives abruptos é aproveitada em várias estações hidroeléctricas. Por todo o território do maciço da Serra da Estrela são frequentes as lagoas e “lagoachos”, que constituem únicos ambientes aquáticos com características permanentes. São alimentadas fundamentalmente pela água da precipitação e do degelo da neve, formando lagos de água em encostas naturais.
A abundância dos recursos aquíferos e a existência de áreas de ajuntamento natural protagoniza o aproveitamento para a produção de energia eléctrica. Muitas lagoas foram objecto de construção de barragens artificiais, das quais existe um aproveitamento da altitude, que através de canais e açudes, que com a energia gerada pelo declive, alimenta centrais hidroeléctricas localizadas em zonas de menor altitude.
Reforçando a sua importância internacional para a conservação da natureza, foram designados outros instrumentos de ordenamento e gestão na área da serra como o Sítio de Interesse Comunitário, proposto para integrar a Rede Natura 2000, em 2000, e a Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar, em 2005.
O Sítio de Interesse Comunitário ocupa uma superfície de cerca de 88.291 hectares e resulta de, nesta área, ocorrer um total de 32 habitats naturais, cinco dos quais prioritários, que dão abrigo a numerosas espécies animais e vegetais cuja conservação a nível europeu se considera prioritária.
A Zona Húmida de Importância Internacional abrange uma área de 5.075 hectares do planalto superior da Serra da Estrela e da cabeceira do Rio Zêzere e inclui, a nível nacional, o mais importante conjunto de turfeiras e lagoas de origem glaciária.
Os principais pontos de interesse desta serra encontram-se no cume principal, os quais são abrangidos pelos quatro primeiros concelhos, Covilhã, Manteigas, Gouveia e Seia. Situam-se maioritariamente no distrito da Guarda, com cerca de 85% de área, situando-se os restantes 15% no distrito de Castelo Branco.
Povoada desde a Idade Média, encontram-se numerosos vestígios da sua ocupação: os romanos construíram uma via de ligação entre Mérida e Braga, os árabes deixaram sistemas de rega e a cultura das árvores de fruto e os visigodos a organização do espaço rural através do “Código Visigótico”.
Actualmente, a economia na Serra da Estrela centra-se no turismo, na agricultura, na pastorícia e no fabrico do famoso queijo da Serra.
A neve, a fauna e flora extraordinárias, a orografia de proporções colossais onde abundam vales em forma de “U”, covões e lagoas de origem glaciária, bem como a sua riqueza humana, cultural, histórica e a vasta gastronomia da região, são excelentes polos de atracção turística desta serrania.

Serra da Estrela no Mapa de Portugal, com enquadramento nos mapas dos Distritos da Guarda e de Castelo Branco








