Pedestrianismo na Geira Romana – Etapa 1

 

 

De Paredes Secas a Covide

 

Ficha Técnica

No conjunto da rede viária do extenso império romano, o caminho entre Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga – Proví­ncia de Léon), por Bergidum Flavium (Ponferrada), constitui um testemunho excepcional de uma época em que a Europa era um espaço comum. A construção da VIA NOVA, GEIRA ROMANA ou VIA XVIII do Itinerário de Antonino, na segunda metade do século I d.C. reforçou a malha viária, permitindo o reordenamento territorial, a intensa actividade mineira, com destaque especial para o ouro, contribuindo a longo prazo para a emergência de uma entidade histórica que perdurou ao longo dos milénios: a Callaecia (retirado do site http://www.viasromanas.pt/geira/projecto.htm).

Os vestígios conhecidos por nós começam em Paredes Secas (Amares) onde, junto à sua Igreja Paroquial, se encontra um marco miliário que terá sido movido da Milha XII para este local.

É necessário percorrer cerca de um quilómetro para se começar a percorrer a antiga via romana.

Em termos de orientação a via, entre o seu início (Milha XII) e a Portela do Homem (Milha XXXIV), não oferece grandes dificuldades, tendo, no entanto, dois ou três pontos que podem oferecer alguma dúvida. Durante o caminho, e para apoio aos caminheiros, surgem umas estruturas metálicas com a inscrição “GEIRA” que vão indicando o percurso. Em parte do percurso surge a sinalética de um percurso pedestre e as famosas setas amarelas dos Caminhos de Santiago.

Saindo da igreja de Paredes Secas a dificuldade será encontrar a via. Passa-se o cemitério local e desvia-se à direita para o lugar do Carvalho. Atravessa-se a estrada N-535-5 e segue-se no caminho da esquerda. Num cruzamento com quatro caminhos desvia-se à direita, subindo por alcatrão e depois saindo para um caminho na mata. Pouco depois começa-se a ver as lajes da antiga via romana.

A via seguirá depois até à pequena povoação de Santa Cruz.

Não se consegue saber onde ficaria exactamente a Milha XII e a Milha XIII, devido a não haver indicação do local, e também ao facto de os marcos miliários de ambas as milhas terem sido deslocados: o da Milha XII para a igreja de Paredes Secas e os dois da Milha XIII para a igreja de Vilela.

Na pequena povoação de Santa Cruz, junto à sua capela, encontra-se um marco miliário do qual não se conhece a origem. Mais à frente um velho cruzeiro e alminha ficam perto do local onde a via romana deu origem a um caminho florestal. É nesse caminho que surge a Milha XIV onde se encontram vários marcos miliários.

A via entra depois na montanha, seguindo a meia encosta, e contornando as curvas de nível que vão serpenteando pela serra. Só se volta a aproximar da civilização perto de Chorense, junto à Capela de São Sebastião da Geira. Antes de chegar à capela passa pelas Milhas XV e XVI onde ainda se encontram alguns marcos miliários.

Após passar a capela a via romana volta a afastar-se da civilização e reentra na serra. Junto ao Ribeiro de Cabaninhas encontra-se a Milha XVII, onde está um conjunto vasto de marcos.

A via vai apresentando, desde o seu início, muito pavimento lajeado que ajuda a perceber que se caminha na Geira Romana.

A via romana entre a Milha XVII e a Milha XXIII apresenta características semelhantes às anteriores, isolada, a meia-encosta, com bastantes vestígios do pavimento e marcos miliários em todas elas.  Pelo caminho também surge bastante água e lama que obrigam o caminheiro a saltitar sobre as antigas pedras da calçada.

Já perto de Covide surge novamente a estrada. Para evitar que se caminhe pela mesma, surge uma seta amarela pintada no pavimento, a indicar a Via Romana. É um percurso fortemente ascendente que uma centena de metros depois volta a descer para a estrada. Não é via romana nem tem qualquer interesse, excepto alguma protecção, uma vez que caminhar pela estrada oferece os seus perigos. Depois na estrada a Geira desvia por um caminho à esquerda, mal assinalado, e que no seu traçado oferece uma descida difícil e escorregadia. Esse caminho leva-nos à Milha XXIV e depois, novamente à estrada já perto da Milha XXV.

Na Milha XXV encontra-se um marco miliário que tem uma cruz de pedra cravada no mesmo.

Por estrada, que cobriu a antiga via romana, segue-se até Covide, onde propomos o fim da primeira etapa.