Já vai distante no tempo a última vez que percorremos o trilho “Terras de Granito”, em Macieira de Alcôba, nas “fraldas” da Serra do Caramulo. Assim, doze anos depois, voltei na companhia do Francisco para caminhar por esse percurso.

O dia estava bastante ventoso, com promessa de muito calor, e com poeiras vindas do Norte de África.

Mesmo assim, lá fomos até Macieira de Alcôba e, junto à sua Igreja Paroquial, iniciámos o percurso. Atravessámos a povoação, passando nos seus espigueiros e eira, pela sua escola primária, piscina fluvial e pouco depois iniciámos a subida da serra por trilhos, por vezes lajeados.

A passagem pelas Hortas Velhas, um conjunto de ruínas de casas em granito que, em tempos, serviam de apoio aos campos agrícolas que actualmente estão completamente abandonados.

Essa parte do percurso até à chegada à Capela da Senhora da Guia é quase sempre ascendente o que nos fez suar. Já na capela, seguimos até ao Miradouro do Monte Junqueiro, onde se pode ter uma bela panorâmica para o Caramulinho, o ponto mais alto da Serra do Caramulo, mas também para as aldeias em redor onde se inclui Macieira de Alcôba.

No regresso à Capela da Senhora da Guia passámos pelo forno comunitário, uma estrutura quadrangular em pedra onde anualmente se celebra o “Milagre da Urgueira”.

O percurso continuou passando em Urgueira onde pudémos visitar a Capela de São Domingos, que por se encontrar aberta foi possível ver o seu altar em talha dourada.

Saindo de Urgueira caminhámos um pouco por estrada e depois por trilhos empedrados até chegar à pequena localidade de Carvalho, onde mais uma pequena capela nos chamou a atenção.

Seguimos depois até à Capela de Nossa Senhora de Fátima, localizada num alto situado sobre a povoação de Macieira de Alcôba. Depois, foi descer à povoação, percorrer algumas das suas ruelas, e terminar a actividade no local onde a iniciámos.

Trilho interessante mas a precisar de alguma revisão na marcação da sinalética em determinados pontos do percurso.

 

Um serrano de Urgueira, freguesia de Macieira de Alcôba, concelho de Águeda e distrito de Aveiro, partiu para o Brasil em 1810 e prometeu a Nossa Senhora da Guia que, se conseguisse voltar com vida, faria um forno onde pudesse cozer pão para todas as pessoas que fossem àquela Romaria. Também prometeu fazer uma capelinha onde se pudesse venerar Nossa Senhora da Guia. Voltou e cumpriu a promessa. Logo nos primeiros anos correu à serra muita gente para venerar Nossa Senhora.

O forno tinha que arder para aquecer oito dias e oito noites. Ao fim desse tempo era varrido e posto o pão com grandes pás.

Num dia de romaria e quando a procissão estava a passar, um homem tirou uma flor do andor e, com ela presa na boca, entrou no forno para lá colocar o pão a cozer. Embora o homem estivesse descalço e sem protecção alguma, não sofreu qualquer queimadura, tendo a flor saído de lá com a mesma frescura e viço com que entrou.

As pessoas, ao verem tal feito, consideraram que tinha acontecido um milagre, pelo que ajoelharam e começaram a rezar. O pão cozido neste forno passou a ser considerado sagrado, sendo distribuído pela população e guardado durante todo o ano, a fim de ser dado aos doentes para ajudar na cura de certas maleitas. A partir daquele ano, deslocavam-se pessoas de vários pontos do país para ver o milagre.”

Alberto Calé

 

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