Este Sábado, na companhia do Francisco e do Figueiredo, fomos até à Serra de Montemuro para realizar o “Caminho do Colmo”, um percurso que percorre velhos trilhos da serra ligando Bustelo da Laje a Gralheira, daí a Panchorra e a Vale de Papas antes de terminar onde começou.
Em Bustelo da Laje é possível apreciar a sua Eira, uma enorme laje de pedra, que outrora era utilizada para malhar o milho e secá-lo ao Sol. A aldeia ainda tem muitos vestígios da construção tradicional em granito e alguns pontos de interesse como a sua Igreja Matriz e uma antiga capela, entre outros.
A saída para o percurso faz-se um pouco pela estrada mas depois percorre velhos caminhos, por vezes empedrados, que nos levaram ao planalto da serra. O planalto encontra-se repleto de eólicas, o que não abona muito na paisagem.
Segue-se depois para Gralheira, uma povoação com alguma dimensão e que nos pareceu ter bastante vida e movimento. Ainda apresenta alguns vestígios tradicional embora seja uma povoação com muita construção moderna. Na povoação é possível ver a Capela do Senhor da Boa Morte e a Igreja Matriz.
Após bebermos uma cervejinha bem fresquinha num café local atravessámos a povoação para sair por um trilho lajeado. O calor acompanhou-nos em todo o percurso o que dificultou as 5 horas de caminhada.
Continuámos até Panchorra, uma povoação não muito distante de Gralheira onde também pudemos ver a Igreja de São Lourenço, e a velha Capela do Bom Sucesso.
Descemos depois para a área fluvial de Panchorra para ver a Ponte Românica de Panchorra, um monumento incluído na Rota do Românico. A ponte é um belo exemplar arquitectónico provavelmente de origem romana que permitia a passagem sobre o Rio Cabrum. Junto à ponte, e permitindo o acesso à mesma, existe uma bela calçada romana/medieval.
O trilho segue depois por velhos caminhos e uma má marcação levou-nos para fora do trilho. Com recurso às cartas militares através de uma aplicação para telemóvel confirmámos estar num caminho que nos levava a Vale de Papas, local para onde nos dirigíamos e, por isso, decidimos continuar a seguir pelo mesmo. Pouco tempo depois voltámos a encontrar as marcas do percurso num trilho que cruzou com o que percorríamos.
Chegados a Vale de Papas pudemos constatar que é a aldeia mais conservada em termos rústicos, com muitas casas em granito e com alguns edifícios ainda com telhado de colmo. A abundância de espigueiros e a sua antiga capela também ajudam a tornar interessante esta povoação.
O regresso a Bustelo da Laje foi longo, percorrendo a serra através de velhos caminhos, por vezes lajeados e entre muros. Pena que em alguns pontos o mato comece a dificultar a passagem e, se nada for feito em breve, o percurso estará parcialmente intransponível. Alguns pontos estão, também, a precisar de melhorar a sinalética.
A chegada a Bustelo da Laje soube bem porque o calor ajudou a desgaste superior aquele que o percurso só por si implica.
Uma boa serra, a explorar melhor. Esperamos em breve voltar para descobrir novos trilhos e lugares.
Alberto Calé
