Alvoco da Serra é uma freguesia portuguesa do concelho de Seia. Situada entre Loriga e Unhais da Serra, Alvoco da Serra encontra-se a 684 metros de altitude, na vertente Sudoeste da Serra da Estrela, na margem direita de um afluente do Rio Alva. É constituída por cinco localidades: Alvoco da Serra (sede da freguesia), Outeiro da Vinha, Vasco Esteves de Baixo, Vasco Esteves de Cima e Aguincho.
É de assinalar a sua constituição geológica, pois uma parte da freguesia pertence ao domínio do granito e a restante ao xisto, facto que influencia a ocupação do solo e outros aspectos da paisagem, como a tipologia das construções e os muros de suporte (socalcos) ou de divisão da propriedade.
A freguesia é dominada por três grandes unidades: o domínio serrano, que corresponde às áreas mais elevadas onde abundam na zona do granito os grandes afloramentos rochosos; os matos rasteiros e os prados de altitude, correspondendo a área dos xistos, normalmente a altitudes menos elevadas, com matagais mais desenvolvidos; e uma presença menos expressiva dos afloramentos rochosos.
Em cotas inferiores surge uma ocupação florestal dominada pelo pinheiro-bravo, mas onde em épocas anteriores aos grandes projectos de florestação do Estado Novo, os carvalhos eram dominantes. Finalmente, junto à rede hidrográfica surge uma paisagem agrícola, ora com lameiros, ora com socalcos, em que a presença e a convivência de oliveiras e castanheiros mostra que Alvoco da Serra está na transição entre climas de diferentes feições.
A área da freguesia de Alvoco da Serra sofre a influência de três factores determinantes que condicionaram a evolução das suas paisagens; por um lado a altitude, que varia entre os 400 e os 1.993 metros, correspondentes à Torre, ponto culminante de Portugal Continental e que constitui um dos seus limites. Semelhante variação introduz variações climáticas e orográficas fortemente restritivas à agricultura.
Com a presença da Ribeira de Alvoco, o eixo fulcral do povoamento, faz-se o essencial da actividade agrícola nos seus aluviões e socalcos, num sistema aparentemente simples, em que a água é represada aproveitando fundões ou poços nas ribeiras, desviando uma parte do caudal para jusante através de uma levada.
Nas encostas abrem-se socalcos em cotas inferiores à represa, fazendo-se rotações culturais em que o milho é a principal cultura.
A história de Alvoco da Serra, pela influência económica, social e demográfica dos lanifícios é, em grande parte, a história dos próprios lanifícios. Esta localidade foi um centro importante da manufactura da lã e a fama da sua produção era nacional. Com a decadência dos lanifícios, as fábricas deixaram de laborar, restando apenas os edifícios.
Em relação ao património histórico-artístico local, destaca-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, de meados do século XVIII, barroca e possuidora de uma escultura renascentista de Nossa Senhora do Rosário; a capela de São Sebastião, provavelmente do século XVI; a capela de Santo António, de finais do século XVIII, estilo barroco; e a capela de São Pedro, primitiva igreja paroquial, provavelmente românica, com três esculturas da Renascença: Espírito Santo, Santa Catarina e São Pedro.
PATRIMÓNIO DE ALVOCO DA SERRA
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário
A Igreja Matriz data de 1724 e tem como orago Nossa Senhora do Rosário.
Possui, além do altar-mor, quatro altares laterais, dois dos quais desde a sua construção. São dedicados ao Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Fátima e Senhor da Paz ou das Almas.
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