Iniciámos no passado Sábado o GR33 – Grande Rota do Zêzere.
Eu, o Francisco, o Cardoso, o Figueiredo e o Rui Correia começámos a caminhar junto ao Covão d’Ametade, início desta Rota, e local onde se situa a nascente do Rio Zêzere. Segue depois no sentido de Manteigas.
Após seguir um pouco por estrada o trilho desvia para o vale glaciar do Zêzere. Durante a longa descida até Manteigas a paisagem é magnífica, acompanhando o Rio Zêzere até Manteigas.
Atravessámos um pouco da povoação para depois começar a subir a serra, para seguir por um trilho a meia encosta. O Figueiredo ficou em Manteigas e o resto do grupo seguiu viagem.
Esta parte do percurso, entre Manteigas e o Skiparque em Sameiro é pouco interessante, decorrendo em grande parte por estradão, cuja pedra miudinha no solo mói os pés. Apenas nos últimos dois quilómetros o trilho se torna mais interessante quando passa a pé posto entre arvoredo.
Por termos começado a caminhar já bastante tarde decidimos acabar por aqui a nossa primeira etapa. Aproveitámos para refrescar os pés nas águas geladas do rio e depois aproveitar o bar existente na praia fluvial para matar a sede e recuperar um pouco.
No Domingo retomámos o percurso a partir do skiparque e seguimos em direcção a Vale de Amoreira.
O trilho continua interessante, também ele, em grande parte de pé posto, até se atravessar o rio e chegar à estrada já à entrada de Vale de Amoreira.
Até aqui o trilho está limpo e bem sinalizado, não oferecendo nestes aspectos qualquer dificuldade.
A partir daqui a coisa começa a complicar-se. Atravessámos Vale de Amoreira pela estrada e quando as indicações do percurso nos indicam caminhos fora de estrada, rapidamente percebemos que o percurso encontra-se, em grande parte, coberto pelo mato.
Ora no trilho, ora muitas vezes pela estrada, lá continuamos na direcção de Valhelhas.
Ignorámos a variante que nos levaria a Valhelhas, o que provavelmente foi um erro, e saímos depois para um trilho que nos levou ao rio. Não tendo outra hipótese que não fosse atravessar o mesmo e sabendo que era previsto fazê-lo a vau, não hesitámos e assim o fizemos. O problema é que depois não encontrámos qualquer indicação do trilho. Isso obrigou-nos a nova travessia do rio e depois também da Ribeira de Beijames.
Acabámos num campo lavrado sem qualquer indicação, sem trilhos e cujo mato e arvoredo não apresentavam qualquer saída.
A maia encosta uma velha quinta servia-nos de conforto e de ponto de orientação. O GPS indicava-nos que estávamos no caminho certo e na carta militar tinha quinta na zona o que nos fazia acreditar que estaríamos perto do caminho certo. O problema estava no mato que nos cercava e tapava qualquer ponto de saída.
Finalmente encontrámos um aceiro recente, bastante íngreme, que nos permitiu sair do campo lavrado, se calhar também usado por quem o lavrou, e que nos permitiu subir a encosta, na direcção do local onde o GPS nos indicava que voltaríamos ao trilho.
E assim foi, após uma boa subida reencontrámos o trilho e seguimos, depois, de forma descendente para Valhelhas.
Tudo correu bem mas perdeu-se demasiado tempo em busca das soluções.
Ao chegar a Valhelhas, o ruído de uma Rave Party fez-se notar e os “martelos” batiam com força quando chegámos à praia fluvial.
Demos uma volta pela zona e depois, sem o Rui que ficou a “curtir” o som, seguimos para Vale Formoso.
À saída de Valhelhas o mato volta a esconder o trilho. Improvisámos e lá chegámos à Ponte Filipina. Nesse local fizemos o ponto da situação. Ainda faltavam mais de 16 quilómetros para o destino apontado, mas o tempo perdido com a passagem do rio desaconselhavam realizar essa distância. Assim vimos na carta militar a povoação seguinte e percorremos esses cerca de 6 quilómetros da etapa.
Primeiro por estrada e depois por um enorme pomar com centenas de pessegueiros, junto ao Rio Zêzere fomos progredindo, sem qualquer dificuldade, até Vale Formoso, local onde decidimos acabar a etapa.
Acabámos no café local a refrescar as gargantas, que o calor e o esforço da etapa secaram.
Infelizmente por motivos pessoais de força maior tive que regressar a casa e interromper a actividade. Sei que os meus companheiros de aventura decidiram não continuar o GR33 e foram percorrer a Rota do Javali, percurso situado em Manteigas.
Um bom percurso, que ainda promete muitos bons e duros momentos mas também algumas desilusões, como pensar que um percurso destes, por zonas fantásticas, com uma divulgação bem feita, com site, folhetos, cartazes, pode estar, em certas zonas, completamente abandonado, sem manutenção e sem marcação. Não dá para perceber. Pelos vistos o GR22.1 que cruza a zona sofre do mesmo mal.
Espero continuar este percurso em breve. A ideia é chegar a Constância onde o mesmo termina e onde o Rio Zêzere desagua no Rio Tejo.
Alberto Calé
