Mais uma actividade englobada nas “Aldeias Históricas”.

Partimos no Sábado de manhã em direcção a Castelo Rodrigo com o objectivo de participar no “Festival Rural de Iguarias” em Escalhão.

Claro que a actividade gastronómica desejada teria que ser antecedida por uma actividade que nos abrisse o apetite e atendendo à zona em questão a BTT foi a escolhida.

Chegados a Castelo Rodrigo iniciámos o processo com uma visita prolongada à aldeia e ao seu Castelo.

Depois descemos a Figueira de Castelo Rodrigo onde partimos na nossa aventura sobre duas rodas. E que aventura…

O objectivo era seguir por trilhos até Barca d’Alva e daí seguir até Castelo Melhor. E até que as coisas correram bem até Barca d’Alva. Os trilhos foram excelentes, a paisagem também e a dificuldade pouca.

A chegada a Barca d’Alva fascinou-nos. O Douro ao fundo corria tranquilo entre encostas escarpadas de grande beleza. Decorriam então no rio os treinos do campeonato do Mundo de Motonáutica.

Lá chegados decidimos comer e beber qualquer coisa fresca, pelo que num café da vila umas bifanas e umas cervejitas ajudaram a animar para a segunda parte do percurso. O calor já era muito e ainda tínhamos uns quilómetros pela frente.

Aqui pude verificar que me tinha esquecido de um dos mapas (asneira) no carro pelo que ir pela serra sem mapa poderia ser problemático.

Enquanto decidíamos o que fazer eis que nos lembrámos de seguir a linha do comboio que ligava Barca d’Alva ao Pocinho e que foi extinta em 1988. Acabávamos assim por fazer mais uma actividade que envolvia linhas férreas extintas.

E se bem o pensámos melhor o fizemos. Dirigimo-nos até à antiga estação, grande e completamente degradada, uma pálida imagem do que terá sido noutros tempos, e em seguida fomos até à ponte giratória onde eram viradas as máquinas do comboio. Depois ainda fomos espreitar a ponte internacional sobre o Rio Águeda e que permitia a passagem do comboio para terras de Espanha.

Em seguida invertemos a marcha e começámos a epopeia de tentar chegar a Castelo Melhor. E assim foi a nossa história durante umas 4 horas, sob um Sol e calor infernal, entre carris e pedras da linha, com mato, tojo, silvas que nos dilaceraram as pernas e os braços, furaram ao pneus e desidrataram-nos, queimaram-nos e nos fizeram praguejar e suar as estopinhas.

Raio de linha esta que para andar a pé é bonita, mas a empurrar as bicicletas se torna um suplício.

Pelo caminho íamos passando por alguns vestígios de apeadeiros, casas de apoio a linhas, e mato, muito mato onde só esporadicamente conseguíamos pedalar alguns metros. O Rio corria, tranquilo, uns metros mais abaixo e nós torrávamos em cima ao Sol.

De repente surgiu uma ponte em mau estado, que atravessava uma linha de água e que por motivos de segurança contornámos por terra, regressando depois à linha.

Mais à frente um túnel comprido e fresco. Até apetecia lá ficar um bom pedaço, mas a hora avançava e os quilómetros não. Por cada quilómetro percorrido lentamente o tempo corria imenso, o calor não abrandava e a sede apertava. A água estava a escassear, havendo mesmo quem já não tivesse. E a estação de Castelo Melhor não aparecia, e sem mapa nem sabíamos quantos quilómetros faltavam.

Finalmente uma estação ao fundo e a esperança renascia. Era Almendra.

Sabíamos que as nossas mulheres já estavam há um par de horas em Castelo Melhor à nossa espera, não tínhamos sinal de telemóvel, pouca água e nem sabíamos a que distância estávamos da estação de Castelo Melhor. Olhando para a linha o mato continuava em grande e o Sol continuava a torrar-nos. Maravilha…

Decidimos então abandonar a via e tentar chegar a Almendra, ou então chegar a um ponto com rede onde pudéssemos contactá-las para nos virem recolher.

E assim fizemos. Subimos uns quilómetros por estrada até conseguirmos contactar o carro de apoio. Enquanto subia, um furo lento que já me acompanhava há algum tempo obrigou-me a parar para efectuar a reparação. Entretanto chegou o carro de apoio que nos evitou, como pudemos depois comprovar, subir mais uns 6 ou 7 Km até Almendra, sob aquele Sol violento. Almendra dista apenas uns 10/12 Km da estação de comboios, que fica em terra de ninguém ao fundo junto ao Rio Douro.

Fomos então beber umas cervejinhas fresquinhas (maravilha) e depois tomar um banhito refrescante e revigorante.

Era então altura de ir ao “Festival Rural de Iguarias” onde bebemos bem, que a desidratação tinha sido grande e comemos melhor, não porque o desgaste tivesse sido muito, mas porque a comida era boa.

Chegou então o Domingo, segundo dia da actividade. Depois de uma noite bem dormida e após termos tomado o pequeno-almoço, partimos de Figueira de Castelo Rodrigo em direcção a Castelo Rodrigo. Para iniciar nada como aquela subida até ao Castelo para aquecer. E se aquecemos!

Feita a foto da praxe seguimos por belos trilhos em direcção a Vermiosa onde cheguei com um furo, fruto dos picos colectados na linha do comboio. Pouco tempo depois coube a sorte ao Cardoso, que para não ficar atrás furou simultaneamente nos dois pneus.

Depois fomos seguindo o trilho até que perto de Almofala onde entrámos no GR22 (Percurso de ligação entre as Aldeias Históricas, neste caso entre Castelo Rodrigo e Almeida) o qual pude “saborear” em 2006.

Daí e com alguma dificuldade, em certos pontos onde as marcas e os trilhos desaparecem, lá acabámos por chegar à pensão em Figueira.

Banhito tomado, rodas a caminho em direcção a Aveiro. Pelo caminho almoçámos em Almeida onde aproveitámos para fazer um passeio pela magnífica fortaleza.

No final damos por bem empregue o esforço, a dureza, o calor, a sede, as arranhadelas e escaldões e já há ideias de lá voltar para outras aventuras.

 

Alberto Calé

 

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