30 de Agosto de 2010: Início do Caminho Inglês
Iniciámos bem cedo também com uma boa subida o regresso ao Ferrol onde posámos junto do marco que indica o início do Caminho Inglês. Partimos desse ponto seguindo os sinais do caminho pelas ruelas da cidade. Alguma dificuldade, num ou outro ponto, em encontrar os referidos sinais mas assim fomos pedalando até sairmos do Ferrol.
A primeira parte do percurso contorna a Ria de Ferrol até Neda. Parámos junto ao albergue local e daí seguimos até Fene afastando-nos da ria. Mais tarde voltámos a ter a ria como companheira, desta vez a Ria de Ares, atravessando-a em Pontedeume, através da sua comprida ponte em arcos.
Dentro desta povoação iniciámos uma das maiores subidas desta etapa, através das suas ruelas intermináveis, com uma inclinação muito considerável. Cruzámo-nos aí com o grupo de portugueses que tinha partido do albergue no dia anterior.
Após a subida continuámos em direcção a Miño, localidade do próximo albergue.
Trilho após trilho fomos andando até passarmos sobre a auto-estrada e em seguida apanharmos um longo estradão com uma inclinação elevada que nos fez desmontar e empurrar as bicicletas carregadas até ao seu ponto mais alto.
Até ao albergue nada mais a assinalar, somando na viagem 50 km de boas pedaladas. Chegados e garantido o lugar no mesmo, fomos tomar um bom banho, lavar as roupas suadas e sujas e partimos em busca do almoço merecido. E nada como uns chipirones (lulas) e pulpo (polvo) muito bem regados com umas belas e geladas “canhas”.
Após algumas horas de descanso voltámos a sair para jantar. Comemos umas massas e matámos a sede, que era muita.
Regressados ao albergue, fomos tratar do equipamento para a etapa seguinte e descansar que a noite nestas venturas é sempre curta.
31 de Agosto de 2010: De Miño a Bruma
Fomos os últimos a sair do albergue. Os caminheiros já tinham saído todos e betetistas neste caminho éramos apenas nós os dois.
Passámos o primeiro peregrino, uma jovem espanhola, logo junto à Ponte do Porco e a partir daí começaram as subidas que, de maior ou menor inclinação, se sucediam umas às outras.
Nesta parte do percurso as descidas eram poucas e curtas e em plano também não muitos quilómetros. As subidas eram permanentes e as pernas começavam a ressentir-se.
Aos 28 Km da etapa passámos o último dos peregrinos que connosco partilharam o albergue de Miño, um agricultor italiano a quem apelidámos de “Ferrari” dado o andamento que impunha.
À distância de uns 2 ou 3 Km mais à frente, encontrámos uma enorme rampa para vencer, que começava em alcatrão e depois passava a terra batida.
Consegui vencer as duas primeiras etapas mas quando pensava ter terminado vi a indicação do caminho a apontar para um estradão mais estreito e ainda mais inclinado. Parei para comer qualquer coisa enquanto aguardava a chegada do meu companheiro de aventuras. Ainda tentei iniciar este estradão em cima da bicicleta mas a roda da frente levantou e tive que apear.
Foi uma eternidade a empurrar a bicicleta pelo longo e inclinado caminho! Ficámos mais tarde a saber que o mesmo tem cerca de 3 km de subida constante e íngreme. No final deste percurso e já em terreno plano, encontrámos uma fonte onde aproveitámos para descansar e beber água. Durante o descanso fomos ultrapassados pelo nosso amigo italiano que deve ter feito a subida a acelerar. Ao ver-nos acenou e aproveitou para nos fotografar à sua passagem.
Continuámos então até ao albergue de Bruma passando novamente o italiano e mais uns peregrinos.
Depois do banho tomado e das roupas lavadas fomos até a uma estação de serviço perto para almoçar. Pudemos aí beber cerveja portuguesa à pressão. Maravilha!
Regressámos ao albergue e fomos assistindo à chegada dos vários peregrinos exaustos. Para aqueles que fizeram a ligação entre Miño e Bruma, esta etapa foi demasiado dura. Os 40 km do caminho para quem o faz a pé são longos e o seu relevo, maioritariamente ascendente, torna a etapa penosa. Com as bicicletas faz-se muito melhor, embora seja uma etapa dura.
O albergue encheu e alguns peregrinos que iam chegando exaustos tiveram que ir para um pavilhão a 2,5 km de distância (em Mesón do Vento), para passar a noite. Valeu, a alguns, a simpatia do casal que toma conta do albergue ao transportá-los para o pavilhão na própria viatura. Outros tiveram que recorrer a táxis. Alguns dos nossos companheiros não chegaram a aparecer, pelo que pensamos que ficaram em qualquer outro albergue pelo caminho (penso que em Betanzos ou Abegondo).
Quanto ao jantar, este foi entregue no albergue, a pedido, por uma empresa da especialidade, que nos retemperou as forças com um caldo galego e, no meu caso, com um salmão grelhado.
Hora do descanso!
1 de Setembro de 2010: De Bruma a Santiago de Compostela
Partimos de Bruma com destino a Santiago de Compostela. Na altura da partida ouvia-se trovejar ao longe e a manhã cinzenta prometia chuva forte.
Pouco tempo depois de sairmos do albergue, sempre acompanhados pelo som dos trovões e o brilho dos relâmpagos, começou a cair uma chuva forte. Abrigámo-nos debaixo de um telheiro e deixámos que a chuva diminuísse.
Continuámos depois o caminho passando vários peregrinos a pé, entre os quais os nossos amigos portugueses (grupo que teve que recolher no tal pavilhão de Mesón do Vento), que já tinham recuperado da etapa anterior.
O percurso decorreu sem grande dificuldade, apenas pontualmente algum pequeno troço mais íngreme, pelo que rolámos a boa velocidade em direcção à Catedral.
A 5 km de Santiago parámos num bar para comer e beber qualquer coisa e não muito depois entrávamos na Praça do Obradoiro em frente à Catedral, aos 39 km de viagem.
Fomos até à Oficina do Peregrino para carimbar as credenciais e obter informações sobre o Caminho de Finisterra. A fila de peregrinos era grande pelo que demorámos algum tempo na espera.
Após recolhermos os carimbos necessários, dirigimo-nos ao Posto de Turismo situado a uns metros mais à frente, para obtermos mais informações e prosseguirmos a nossa peregrinação.
O restante relato está incluído no Caminho de Finisterra.
Alberto Calé
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