
Castelo de Belmonte
O castelo de Belmonte foi fundado por D. Egas Fafes, Bispo de Coimbra, no século XIII. Em 1466 foi doado a Fernão Cabral, a título hereditário, por D. Afonso V. Após o estabelecimento do Tratado de Alcanises, em 1297, e com o consequente alargamento das fronteiras para Oeste, o Castelo de Belmonte perdeu importância estratégica, enquanto a povoação se desenvolvia extramuros. Durante a crise de 1383-1385, o castelo perdeu parte das suas muralhas.
No reinado de D. João I, tendo o alcaide de Belmonte, entre 1397 e 1398, aderido ao partido do infante D. Dinis, o soberano confiscou-lhe a vila e o castelo, doando-os como alcaidaria a Luís Álvares Cabral, passando a família Cabral a residir no castelo. O novo alcaide procedeu à reconstrução do pano da muralha a Norte, onde se abriu uma nova Porta da Traição, acrescentando-se um cubelo para reforço.
Em 1466, o castelo foi doado por D. Afonso V a Fernão Cabral, pai de Pedro Álvares Cabral, que prosseguiu a adaptação desta edificação militar a residência senhorial; para a sua adaptação em habitação foram rasgadas janelas e portas. Uma das janelas é geminada e é um belo exemplar Manuelino. Pedro Álvares Cabral terá, provavelmente, nascido nesta fortaleza. Foi residência da família Cabral até finais do século XVII.
No contexto da Guerra da Restauração da Independência, a sua defesa teria sido modernizada pela construção de alguns baluartes. Após ter sofrido um violento incêndio, em 1694, o castelo foi abandonado.
No século seguinte, foi erguido o edifício junto ao portão principal, que funcionou como prisão no início do século XX.
O imóvel foi declarado Monumento Nacional por Decreto publicado em 15 de Outubro de 1927. Entre a década de 1940 e a de 1960 foram procedidas diversas intervenções de conservação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
Em 1992, passou a ser gerido pelo do IPPAR. Ergueu-se no seu interior um anfiteatro destinado à apresentação de espectáculos. Entre 1992 e 1994 procederam-se a trabalhos de prospecção arqueológica no interior do castelo, comprovando a presença romana e, entre 1994 e 1995, no interior da torre de menagem.
Encontra-se aqui o posto de turismo de Belmonte e uma loja do IPPAR.
Características - O castelo apresenta planta de traçado ovalado irregular, erguido em aparelho de pedra granítica. A fachada principal do castelo, orientada para o Sul, é rasgada por um portal de arco de volta perfeita, encimado por uma esfera armilar e pelas armas dos Cabral.
Fechando o ângulo Sudoeste, adossada à muralha pelo exterior, ergue-se a Torre de Menagem, em estilo românico e em três pavimentos, encimada por ameias quadradas de terminação piramidal.
No lado Sudeste das muralhas encontra-se um espaço residencial - adaptação quinhentista, com filiação no estilo maneirista - de uma pequena torre medieval.
No pano exterior do Paço rasga-se uma janela em estilo manuelino, com verga de recorte trilobado. A Oeste, as ruínas do antigo Paço - mandado ampliar pelo pai de Pedro Álvares Cabral – adossado à Torre de Menagem.
Rasgam-no ainda outras janelas de balcão que se apoiam em mísulas. Para além de pedras brasonadas, os panos de alvenaria são rasgados por aberturas de seteiras com troneiras.
O posto de turismo situa-se à entrada do Castelo, do lado direito.

Igreja de Santiago
Construida no século XIII em estilo românico, esta igreja possui, no seu interior, a capela de Nossa Senhora da Piedade, erigida no século XIV. Em conjunto, formam um interessante conjunto gótico.
Nos finais do século XV é-lhe anexado o Panteão dos Cabrais, restaurado no século XVII, e onde actualmente estão depositadas as cinzas de Pedro Álvares Cabral.
No século XVIII, a sua fachada é remodelada e a torre sineira erigida.
No interior da Igreja podem-se observar frescos de, pelo menos, duas épocas. Na capela-mor encontram-se vestígios de um tríptico constituído por figuras que representam Nossa Senhora, São Tiago (padroeiro de Belmonte) e São Pedro (que muitos dizem ser uma representação de Pedro Álvares Cabral).
Actualmente está instalado na Igreja um Centro de Interpretação, onde se destaca a história do edifício e a sua função como ponto de passagem dos peregrinos a Santiago de Compostela.

Torre Sineira
Esta torre, construída isoladamente, encontra-se próxima da Igreja de Santiago e do Panteão dos Cabrais. Data do século XIX, mais precisamente, do ano de 1860.

Capela do Calvário
Situada nas imediações do castelo, a Capela do Calvário data do século XIX.
De arquitectura oitocentista e do revivalismo neo-gótico, apresenta planta longitudinal simples, de disposição horizontal, cobertura em telhado de duas águas e fachadas em alvenaria aparente em granito, com disposição mais regular na fachada principal. A porta da capela é transposta através de cinco degraus, estando decorada com os instrumentos da Paixão de Cristo (escadas, lança, vara do vinagre, turquês, martelo e coroa de espinhos). Nesta capela termina a procissão da Via-Sacra.

Capela de Santo António
Perto da capela do Calvário, localiza-se a Capela de Santo António, do século XVI, mandada construir por D. Isabel Gouveia, mãe de Pedro Álvares Cabral. É provável que esta capela seja mais antiga que a capela do Calvário, mas não há certezas.
Nesta capela encontra-se um brasão com as armas das famílias Queiroz, Gouveia e Cabral.

Pelourinho de Belmonte
Símbolo medieval de poder municipal, aplicava-se a justiça e anunciavam-se, publicamente, as posturas municipais e as directrizes de poder central precisamente neste local.
Devido à destruição de que foi alvo em 1885, foram recuperados alguns elementos da sua coluna, em 1975. Com o desaparecimento do capitel original, este foi substituído pelo brasão de Fernão Cabral com a prensa esculpida.

Paços do Concelho
Este edifício funcionou como Câmara Municipal antes de ser a Biblioteca Municipal, encontrando-se documentado desde o século XV. Trata-se de um edifício de planta rectangular simples, de volumes escalonados com disposição horizontal, cortada pela torre.
Possui fachadas em cantaria granítica aparente, de aparelho isódomo na torre e opus incertum nos volumes laterais. A torre sineira, oriunda das antigas portas da vila, e o relógio, foram colocados posteriormente.
No século XIX e durante as Invasões Francesas, Junot mandou danificar os brasões de armas presentes no edifício, pelo facto de Belmonte não se ter rendido.

Sinagoga
Belmonte é, provavelmente, a localidade portuguesa onde a presença dos judeus é mais forte, destacando-se por ter sido um caso singular, no território peninsular, de permanência da cultura e da tradição hebraicas desde o início do século XVI até aos dias de hoje. A comunidade judaica está aí estabelecida desde a Idade Média, e a Judiaria estendia-se então entre as actuais ruas da Fonte da Rosa e Direita. Em 1297 terá sido inaugurada a primeira sinagoga da vila, que posteriormente foi adaptada ao culto cristão. Com o édito de expulsão de D. Manuel, manteve-se em Belmonte um grupo de criptojudeus que subsiste até à actualidade.
De arquitectura bastante recente, de 1996, a Sinagoga de Belmonte destina-se ao culto Judaico, de reunião e actividades comunitárias. Como curiosidade, importa referir que esta é das poucas sinagogas a funcionar em Portugal que possui Rabino.
Os Judeus em Belmonte
A comunidade de Belmonte abriga um importante facto da história Judaica, relacionado com a resistência dos Judeus à intolerância religiosa na Península Ibérica.
No século XVI, aquando da expulsão dos mouros da Península Ibérica e da reconquista das terras espanholas e portuguesas pelos reis católicos e por D. Manuel, foi instaurada uma lei que obrigava os Judeus portugueses a converterem-se ou a deixarem o país. Muitos deles acabaram por abandonar Portugal, com medo de represálias da Inquisição. Outros converteram-se ao Cristianismo em termos oficiais, mantendo o seu culto e tradições culturais no âmbito familiar.
Um terceiro grupo de Judeus, porém, tomou uma medida mais extrema. Vários decidiram isolar-se do mundo exterior, cortando o contacto com o resto do país e seguindo as suas tradições à risca. Tais pessoas foram chamadas de "marranos", numa alusão à proibição ritual de comer carne de porco. Durante séculos os marranos de Belmonte mantiveram as suas tradições Judaicas quase intactas, tornando-se um caso excepcional de comunidade cripto-Judaica. Somente nos anos 70 do século passado a comunidade estabeleceu contacto com os Judeus de Israel e oficializou o Judaísmo como sua religião.
Com o tempo, os cripto-Judeus de Belmonte decidiram assumir a sua identidade cultural e regressaram abertamente ao Judaísmo. Hoje são uma presença activa da vila: possuem uma Sinagoga, um Rabino e um cemitério próprio. Produzem vinho e azeite Kosher (Produtos Kosher ou alimentos Kosher, são todos aqueles que obedecem à lei Judaica).
Em 2005 foi inaugurado na cidade o Museu Judaico de Belmonte, o primeiro do género em Portugal, que mostra as tradições e o dia-a-dia dessa comunidade.

Estátua de Pedro Álvares Cabral
Erigida junto à Câmara Municipal de Belmonte, presta homenagem ao descobridor do Brasil. Ostenta os emblemas característicos dos Cavaleiros da Ordem de Cristo: a cruz e a espada na mão esquerda e o astrolábio na mão direita.
Pedro Álvares Cabral (Belmonte-1467/1468 – Santarém-1520) - Fidalgo, comandante militar, navegador e explorador português, Pedro Álvares Cabral é creditado como descobridor do Brasil.
No ano de 1500, nomeado comandante por D. Manuel I, efectua a segunda expedição de Portugal à Índia a 9 de Março; esta contava com 13 navios e 1500 homens. As Terras de Vera Cruz (Brasil) são descobertas a 22 de Abril. Quatro das naus acabam por naufragar, chegando a Calecute a 13 de Setembro.
Em 1501, regressa a Portugal com apenas 5 navios, embora transportando avultada carga de especiarias. Recusa comandar uma nova expedição em 1502, desta vez à Índia. Em 1503, Pedro Álvares Cabral casa-se com D. Isabel de Castro com quem teve seis filhos. Nesse mesmo ano é nomeado para o comando de uma nova expedição, mas depois de oito meses de preparativos é substituído por Vasco da Gama. Em 1509, retira-se para sua propriedade perto de Santarém. Em 1515 é-lhe atribuída uma tença como prémio pela sua descoberta do Brasil que começa a ser colonizado. Em 1518 recebe o título de Cavaleiro do Conselho Régio.
Pedro Álvares Cabral faleceu em Santarém, Portugal, no ano de 1520. O seu corpo foi sepultado na Igreja da Graça.

Igreja Matriz de Belmonte
A igreja Matriz de Belmonte foi construída em 1940 com a ajuda dos populares e tem no seu interior a imagem quatrocentista de Nossa Senhora da Esperança que, segundo consta, foi a que Pedro Álvares Cabral levou na viagem da descoberta do Brasil.
Na sua fachada existe um distintivo da Companhia de Jesus, gárgulas de canhão, entablamento encimado por janelão e pórtico em arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras ornamentadas com motivos vegetalistas ou estriados. No seu interior podemos observar o tecto pintado em caixotões da capela-mor, o altar-mor barroco e o púlpito com carácter renascentista assente numa coluna estriada e com capitel decorado com cabeças de anjos.
Do espólio desta igreja salienta-se uma custódia, uma cruz e um cálice de prata do século XVII e XVIII, respectivamente.

Solar dos Cabrais
Segunda residência da família Cabral, foi construído no século XVIII, para substituir o paço do castelo, muito afectado por um incêndio que o consumiu no século anterior. Actualmente alberga a Biblioteca e Arquivo Municipal.
É um edifício de dois pisos, com planta longitudinal composta, apresentando fachada limitada por pilastras, cornija simples e vãos de lintel recto. Na fachada principal, sobre o portão, ostenta o brasão dos Condes de Belmonte, do século XIX, o único que conseguiu escapar ao pico que mutilou todos os brasões da povoação, uma vez que só foi aqui colocado após os tempos agitados da Primeira República.
No logradouro do edifício foi construído de raiz o Museu dos Descobrimentos, projecto interactivo, de sensações e afectos que transporta o visitante para uma história de 500 anos de construção de um País e da Portugalidade. Ao longo da estratégia expositiva aborda-se a história dos descobrimentos portugueses enquanto elemento unificador dos Novos Mundos, a viagem da Descoberta do Brasil, o desenvolvimento e a construção de uma nação irmã, a Portugalidade e muito mais.
Neste edifício está instalado o Museu dos Descobrimentos, interactivo, que faz um percurso pela história de Belmonte, de Pedro Álvares Cabral, dos Descobrimentos e do Brasil.

Tulha dos Cabrais
A antiga Tulha dos Cabrais é um edifício do século XVIII e destinava-se ao armazenamento das rendas da família Cabral.
A família Cabral foi a mais importante família de Belmonte. Com suas muitas posses, construiu um celeiro em frente ao seu solar que ficou conhecido como "Tulha dos Cabrais".
Solidamente construído sobre um afloramento de granítico sofreu, desde então e com o passar do tempo, algumas remodelações. A mais evidente foi a instalação das rampas de acesso.
Actualmente encontra-se aqui instalado o Ecomuseu do Zêzere, uma estrutura que aborda o Rio Zêzere numa perspectiva do seu património natural e cultural, privilegiando os aspectos ligados à fauna, flora, uso do solo e povoamento.

Lagar de Azeite
Existe desde finais do século XIX, princípio do século XX. Este antigo lagar destinava-se aos pequenos produtores da zona que, em troca, recebiam uma percentagem de azeite.
O Lagar foi recuperado e transformado em Museu. O rés-do-chão do edifício serve de exposição dos vários produtos derivados da azeitona, como diversas qualidades de azeite, patés, entre outros. No piso inferior conservam-se todas as máquinas utilizadas na transformação da azeitona em azeite, dando assim a conhecer este modo artesanal de produção.

Centum Cellas
Situadas no Monte de Santo Antão, na freguesia do Colmeal da Torre, pertencente ao Concelho de Belmonte, no Centro de Portugal, distando cerca de 2,5 km de Belmonte, muito se tem especulado sobre as origens e história destas ruínas.
Erigida no monte de Santo Antão, Centum Cellas é a deturpação popular do termo latino "Centum Cellae" que se pode traduzir por "100 divisões" e que atesta da outrora imponência desta vila romana do século I, propriedade de Lucius Caecilius e dos seus descendentes que se dedicavam à exploração de estanho que abundava nesta região.
A torre, o edifício mais importante de toda a estrutura, era constituída por dois andares, tendo o rés-do-chão diversas salas e era a área de serviços.
No primeiro piso existiria uma sala ampla com várias janelas e portas que davam acesso para uma varanda protegida por um telhado que era suportado por colunas toscanas. Nas escavações efectuadas foram encontrados diversos artefactos de grande valor histórico.
Na época medieval o local continuou a ser utilizado, uma vez que existem sepulturas medievais próximas das fundações da Capela de São Cornélio, a qual desapareceu no século XVIII. Centum Cellas obteve foral de D. Sancho I em 1194.
Com a atribuição pelo mesmo rei do Foral a Belmonte em 1199, Centum Cellas perdeu importância e terá sido mesmo abandonada, começando aí a sua decadência.
Foi considerado Monumento Nacional por Decreto Nº 14425 DG 136, de 15 Outubro 1927 e afecto ao IPPAR desde 1 de Junho de 1992.