LINHAS FERROVIÁRIAS EXTINTAS

- Linha do Sabor -

Comboio a vapor na Ponte do Pocinho (Anos 70 do século XX)

A construção da Linha do Sabor, planeada desde 1877, destinava-se a fornecer uma ligação ferroviária ao planalto de Miranda, atravessando os concelhos de Moncorvo, Freixo, Mogadouro, Vimioso e Miranda do Douro.


Esta região possuía uma forte produção agrícola e importantes recursos naturais, destacando-se as minas de ferro em Torre de Moncorvo e os depósitos de mármore e alabastro de Santo Adrião, em Vimioso. Apesar da sua riqueza, esta zona encontrava-se muito deficiente em termos de comunicações e com a rede viária pouco desenvolvida.


Para colmatar esta lacuna, foi apresentado, em Setembro de 1878, um relatório sobre os caminhos-de-ferro portugueses, onde se previa a construção de várias ligações ferroviárias.


Comboio a vapor na estação de Duas Igrejas - Miranda (Anos 70 do século XX)

Entre as linhas projectadas, encontrava-se uma entre Miranda do Douro e a foz do Rio Sabor, na Linha do Douro, para transportar alabastro de Vimioso e os minérios de Reboredo, e que continuava para Sul até Vila Franca das Naves, na Linha da Beira Alta.


Esta linha, construída de forma faseada, demorou muito tempo a ser concluída e, por falta de verbas, nunca chegou à cidade de Miranda do Douro.


Moncorvo foi, de todas as quatro sedes dos concelhos que a linha atravessa, a única a ter estação no próprio povoado.


Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro tinham as suas respectivas estações longe dos aglomerados populacionais. Esta dificuldade condenou a Linha do Sabor, a longo prazo, ao declínio da sua procura.


Acelerado pelo despovoamento que a emigração ditou na segunda metade do século XX, iniciou-se o desinvestimento nesta via-férrea.


Comboio a vapor na estação de Mogadouro (Anos 70 do século XX)

O material transportado a vapor durou até ao seu encerramento, tanto para os comboios de passageiros, como para os de mercadorias e mistos. Para os de passageiros surgiu, ainda, uma pequeníssima automotora, fruto de um projecto nacional, que tinha carroçaria de autocarro e era impulsionada por um motor a gasolina. Ainda existe um exemplar deste peculiar comboio na Secção Museológica da estação do Arco de Baúlhe, na Linha do Tâmega.


O material, obsoleto, começou a ser substituído gradualmente por circulações rodoviárias, deixando nos últimos anos de exploração ferroviária apenas uma circulação de comboios em cada sentido, que fizesse integralmente os 105,3 km do Pocinho a Duas Igrejas, e duas que cumprissem apenas o troço Pocinho – Mogadouro.


Os comboios mineiros da extracção de Ferro na Serra do Reboredo, principal suporte da manutenção da linha, acabou com o declínio rápido da extracção do Ferro.


A 1 de Agosto de 1988 estava tudo acabado na Linha do Sabor, local onde tinha chegado recentemente material a diesel, as locomotivas 9020 da Alstom, que prestaram serviço nas congéneres de via estreita do Douro.


Poucas semanas depois, o troço da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d'Alva era também encerrado, deixando o Pocinho como estação a partir da qual nenhum outro comboio prosseguia marcha.



Construção, inauguração e encerramento da Linha


Comboio a vapor em Torre de Moncorvo (Anos 70 do século XX)

  • Em 15 de Novembro de 1903 foram inauguradas oficialmente as obras na Linha do Sabor, começando pela ponte do Pocinho. As obras da ponte terminaram em 1906.


  • O primeiro troço, entre Pocinho e Carviçais, sido inaugurado em 17 de Setembro de 1911.


  • Em 7 de Outubro de 1925, a população revoltou-se contra a introdução do transporte ferroviário naquela região. O comboio que transportava adubos entre Lagoaça e Carviçais foi atacado por vários tiros, junto à localidade de Fornos.


  • As obras de construção foram interrompidas, prevendo-se, em Julho de 1926, o seu reinício pouco tempo depois, para além da Estação de Carviçais, até ao Mogadouro.


  • Em 1926, os trabalhos estavam a avançar com dificuldade, não chegando a Bruçó, como estava previsto.


  • O troço até Lagoaça foi inaugurado em 6 de Julho de 1927 e até ao Mogadouro em 1 de Julho de 1930.


  • Esta ligação foi arrendada pelo Governo à Companhia dos Caminhos-de-ferro Portugueses no dia 27 de Março de 1927, que a subarrendou à Companhia Nacional de Caminhos-de-ferro por um contrato, datado de 11 de Março do ano seguinte.


  • Comboio a vapor na Linha do Sabor (Anos 70 do século XX)

  • Em 1932, terminaram as obras de assentamento e de construção dos edifícios no troço entre Lagoaça e Mogadouro, e estava em construção o troço entre Mogadouro e Urrós.


  • No ano seguinte, continuaram as obras até Urrós, e foi aberto o concurso para a construção do troço desde aquela estação até Duas Igrejas. Nesse ano, a Companhia Nacional renovou os componentes metálicos da via entre Pocinho e Moncorvo.


  • Na reunião do Conselho de Ministros de 10 de Janeiro de 1934, foi aprovada a minuta do contrato para a terceira empreitada da Linha do Vale do Sabor, que consistiu nas terraplanagens e instalação das infra-estruturas de via e das estações, cabos telefónicos, e estradas de acesso para Sendim e Duas Igrejas.


  • O troço até Duas Igrejas - Miranda foi inaugurado em 22 de Maio de 1938.


  • A ponte foi construída com a resistência necessária a uma possível adaptação a via larga.


  • Em 1932, começaram os serviços de ambulâncias postais nesta linha, que seriam suprimidos em 1972.


  • Em 1933, foi colocada uma trave de ferro sobre os carris, junto à estação de Mogadouro, para descarrilar o serviço de correio proveniente do Pocinho. O acidente foi evitado pelo maquinista que conseguiu, atempadamente, parar a composição.


  • A Linha do Sabor foi totalmente encerrada à exploração a 1 de Agosto de 1988.



O futuro da extinta Linha


Comboio a vapor na Linha do Sabor (Anos 70 do século XX)

Actualmente defende-se a recuperação do património da antiga Linha do Sabor, de forma a criar um canal de ligação entre o Douro Internacional e o Douro Vinhateiro através de uma ecopista.


O troço da antiga linha de Caminho-de-ferro entre Torre de Moncorvo e Carviçais, num total de 24 km de percurso pedestre, já se encontra transformado em ecopista.


Encontra-se em fase de projecto a ecopista do Douro Superior, que ligará o Pocinho a Duas Igrejas e que ocupará todo o canal da desactivada linha de Caminho-de-Ferro do Sabor.


Esta será uma iniciativa da Associação de Municípios do Douro Superior, que engloba os concelhos de Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro.


A empresa Infraestruturas de Portugal, que resulta da fusão da Refer com a Estradas de Portugal, pretende avançar com a concessão da totalidade do canal ferroviário da antiga ferrovia do Sabor, tendo em vista a sua transformação num corredor destinado a uma Via Verde que englobe ecopistas e ciclovias.

Comboio a vapor na Ponte do Pocinho (Anos 70 do século XX)

Comboio a vapor na estação de Duas Igrejas - Miranda (Anos 70 do século XX)

Comboio a vapor na estação do Mogadouro (Anos 70 do século XX)

Comboio a vapor em Torre de Moncorvo (Anos 70 do século XX)

Comboio a vapor na Linha do Sabor (Anos 70 do século XX)

Comboio a vapor na Linha do Sabor (Anos 70 do século XX)