
A construção da Linha do Sabor, planeada desde 1877, destinava-se a fornecer uma ligação ferroviária ao planalto de Miranda, atravessando os concelhos de Moncorvo, Freixo, Mogadouro, Vimioso e Miranda do Douro.
Esta região possuía uma forte produção agrícola e importantes recursos naturais, destacando-se as minas de ferro em Torre de Moncorvo e os depósitos de mármore e alabastro de Santo Adrião, em Vimioso. Apesar da sua riqueza, esta zona encontrava-se muito deficiente em termos de comunicações e com a rede viária pouco desenvolvida.
Para colmatar esta lacuna, foi apresentado, em Setembro de 1878, um relatório sobre os caminhos-de-ferro portugueses, onde se previa a construção de várias ligações ferroviárias.
Entre as linhas projectadas, encontrava-se uma entre Miranda do Douro e a foz do Rio Sabor, na Linha do Douro, para transportar alabastro de Vimioso e os minérios de Reboredo, e que continuava para Sul até Vila Franca das Naves, na Linha da Beira Alta.
Esta linha, construída de forma faseada, demorou muito tempo a ser concluída e, por falta de verbas, nunca chegou à cidade de Miranda do Douro.
Moncorvo foi, de todas as quatro sedes dos concelhos que a linha atravessa, a única a ter estação no próprio povoado.
Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro tinham as suas respectivas estações longe dos aglomerados populacionais. Esta dificuldade condenou a Linha do Sabor, a longo prazo, ao declínio da sua procura.
Acelerado pelo despovoamento que a emigração ditou na segunda metade do século XX, iniciou-se o desinvestimento nesta via-férrea.
O material transportado a vapor durou até ao seu encerramento, tanto para os comboios de passageiros, como para os de mercadorias e mistos. Para os de passageiros surgiu, ainda, uma pequeníssima automotora, fruto de um projecto nacional, que tinha carroçaria de autocarro e era impulsionada por um motor a gasolina. Ainda existe um exemplar deste peculiar comboio na Secção Museológica da estação do Arco de Baúlhe, na Linha do Tâmega.
O material, obsoleto, começou a ser substituído gradualmente por circulações rodoviárias, deixando nos últimos anos de exploração ferroviária apenas uma circulação de comboios em cada sentido, que fizesse integralmente os 105,3 km do Pocinho a Duas Igrejas, e duas que cumprissem apenas o troço Pocinho – Mogadouro.
Os comboios mineiros da extracção de Ferro na Serra do Reboredo, principal suporte da manutenção da linha, acabou com o declínio rápido da extracção do Ferro.
A 1 de Agosto de 1988 estava tudo acabado na Linha do Sabor, local onde tinha chegado recentemente material a diesel, as locomotivas 9020 da Alstom, que prestaram serviço nas congéneres de via estreita do Douro.
Poucas semanas depois, o troço da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d'Alva era também encerrado, deixando o Pocinho como estação a partir da qual nenhum outro comboio prosseguia marcha.
Em 15 de Novembro de 1903 foram inauguradas oficialmente as obras na Linha do Sabor, começando pela ponte do Pocinho. As obras da ponte terminaram em 1906.
O primeiro troço, entre Pocinho e Carviçais, sido inaugurado em 17 de Setembro de 1911.
Em 7 de Outubro de 1925, a população revoltou-se contra a introdução do transporte ferroviário naquela região. O comboio que transportava adubos entre Lagoaça e Carviçais foi atacado por vários tiros, junto à localidade de Fornos.
As obras de construção foram interrompidas, prevendo-se, em Julho de 1926, o seu reinício pouco tempo depois, para além da Estação de Carviçais, até ao Mogadouro.
Em 1926, os trabalhos estavam a avançar com dificuldade, não chegando a Bruçó, como estava previsto.
O troço até Lagoaça foi inaugurado em 6 de Julho de 1927 e até ao Mogadouro em 1 de Julho de 1930.
Esta ligação foi arrendada pelo Governo à Companhia dos Caminhos-de-ferro Portugueses no dia 27 de Março de 1927, que a subarrendou à Companhia Nacional de Caminhos-de-ferro por um contrato, datado de 11 de Março do ano seguinte.
Em 1932, terminaram as obras de assentamento e de construção dos edifícios no troço entre Lagoaça e Mogadouro, e estava em construção o troço entre Mogadouro e Urrós.
No ano seguinte, continuaram as obras até Urrós, e foi aberto o concurso para a construção do troço desde aquela estação até Duas Igrejas. Nesse ano, a Companhia Nacional renovou os componentes metálicos da via entre Pocinho e Moncorvo.
Na reunião do Conselho de Ministros de 10 de Janeiro de 1934, foi aprovada a minuta do contrato para a terceira empreitada da Linha do Vale do Sabor, que consistiu nas terraplanagens e instalação das infra-estruturas de via e das estações, cabos telefónicos, e estradas de acesso para Sendim e Duas Igrejas.
O troço até Duas Igrejas - Miranda foi inaugurado em 22 de Maio de 1938.
A ponte foi construída com a resistência necessária a uma possível adaptação a via larga.
Em 1932, começaram os serviços de ambulâncias postais nesta linha, que seriam suprimidos em 1972.
Em 1933, foi colocada uma trave de ferro sobre os carris, junto à estação de Mogadouro, para descarrilar o serviço de correio proveniente do Pocinho. O acidente foi evitado pelo maquinista que conseguiu, atempadamente, parar a composição.
A Linha do Sabor foi totalmente encerrada à exploração a 1 de Agosto de 1988.
Actualmente defende-se a recuperação do património da antiga Linha do Sabor, de forma a criar um canal de ligação entre o Douro Internacional e o Douro Vinhateiro através de uma ecopista.
O troço da antiga linha de Caminho-de-ferro entre Torre de Moncorvo e Carviçais, num total de 24 km de percurso pedestre, já se encontra transformado em ecopista.
Encontra-se em fase de projecto a ecopista do Douro Superior, que ligará o Pocinho a Duas Igrejas e que ocupará todo o canal da desactivada linha de Caminho-de-Ferro do Sabor.
Esta será uma iniciativa da Associação de Municípios do Douro Superior, que engloba os concelhos de Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro.
A empresa Infraestruturas de Portugal, que resulta da fusão da Refer com a Estradas de Portugal, pretende avançar com a concessão da totalidade do canal ferroviário da antiga ferrovia do Sabor, tendo em vista a sua transformação num corredor destinado a uma Via Verde que englobe ecopistas e ciclovias.