ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL

- Sortelha -

Invasões Francesas

A primitiva ocupação humana do local onde hoje se situa Sortelha remonta à pré-história, possivelmente a um castro Neolítico. Atraídos pela riqueza mineral da região e pela posição estratégica do local, este teria sido sucessivamente ocupado por Romanos, Visigodos e Muçulmanos.


Durante a Reconquista cristã da península Ibérica, Sortelha constituiu-se em defesa da região fronteiriça, disputada entre Portugal e Castela.


A vila desenvolveu-se a partir de uma ocupação que teve início no século XII-XIII, possivelmente a partir de 1181.


A partir de 1187, D. Sancho I mandou-a repovoar, e D. Sancho II, seu neto, concedeu foral à vila, em 1228, e promove a edificação do castelo, uma construção edificada no estilo românico e gótico.


No Foral eram mencionadas as condições de vivência neste local, que visavam fixar as populações de forma a defenderem esta zona raiana.


A cerca da vila seria beneficiada por D. Dinis no século XIII que, a partir da assinatura do Tratado de Alcanises, fixou as fronteiras para além das terras de Riba-Côa.


No século seguinte, foi erguida uma nova cerca por iniciativa de D. Fernando.


D. Manuel I

No século XV sabe-se que o alcaide do castelo era Manuel Sardinha, sucedendo-lhe Pêro Zuzarte.


Em 1510, D. Manuel I renovou o foral da Vila. Ao mesmo tempo, iniciou uma campanha de obras no castelo, como prova o emblemático brasão sobre a porta.


Em 1522 Garcia Zuzarte tornou-se alcaide-mor.


Ainda nesse século, o nobre D. Luís da Silveira, guarda-mor de D. Manuel I e de D. João III, adquiriu o castelo, tornando-se seu alcaide, conferindo-lhe D. João III o título de Conde de Sortelha.


Na Época Moderna (séculos XVII-XVIII) começou a desenvolver-se o arrabalde exterior à povoação, inicialmente no seguimento da saída que ligava ao Sabugal. Posteriormente disseminou-se pelas vertentes e foi-se afastando das muralhas. Desenvolve-se relativamente distante do núcleo amuralhado e é caracterizado sobretudo por solares.


Durante as Invasões Francesas, as tropas Napoleónicas passaram por Sortelha e, na sequência dos combates que aqui travaram, dinamitaram parte da muralha do castelo.



Da Guerra da Restauração da Independência aos nossos dias


Sortelha (2010)

Com a Restauração da Independência, após 1640, foi iniciada a adaptação da estrutura defensiva às novas técnicas militares, adaptando-a ao fogo da artilharia.


Nesta fase, o castelo esteve envolvido em diversas operações militares contra forças de Castela em acção na fronteira, o mesmo se repetindo no século XVIII contra o mesmo inimigo e, posteriormente, no início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular, contra as forças Francesas de Napoleão.


Posteriormente desguarnecidos quando a sede do Concelho foi extinta, em 1855, a vila e o seu castelo entraram em processo de decadência.


O castelo está classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910. Mais tarde sofreu intervenções de conservação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).