
Os Templários
Terra de rara beleza, onde o granito e a força humana desempenham o papel principal, "Monte Santo" é o carismático baluarte da fronteira do Erges, tão valoroso que se dizia que "Quem conquista Monsanto, conquista o mundo".
Do seu passado prevalecem curiosas lendas e narrativas ligadas a invasões e assaltos à povoação.
A proximidade da antiga Egitânia (Idanha-a-Velha) da estrada que ligava Mérida a Compostela e os inúmeros vestígios da ocupação Romana (cerâmica, moedas, joalharia e inscrições funerárias), são sinais claros de que o "Monte Santo" terá acolhido Romanos, naquilo que deveria ser um “oppidum”.
Aos Romanos sucederam-se os Godos e os Árabes que ali deixaram marcas indeléveis da sua passagem.
Quando se fala de Monsanto fala-se de um local muito antigo, com registo de presença humana desde o Paleolítico. A falta de um trabalho aprofundado de carácter científico no campo da arqueologia faz com que certos períodos da pré e proto-história do lugar permaneçam envoltos numa certa obscuridade.
De qualquer forma, vestígios arqueológicos dão conta de um castro Lusitano, de "villae" e termas Romanas no denominado "Campo de São Lourenço", no sopé do monte.
D. Gualdim Pais
O castelo de Monsanto começou por ser um castro Lusitano, depois foi restaurado pelos Romanos e sofreu uma longa história de combates e cercos.
Terra conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, foi doada à Ordem dos Templários que lhe edificaram o castelo, em 1165, sob as ordens de D. Gualdim Pais.
Em 1174 Monsanto recebeu foral do mesmo monarca, o qual foi confirmado por D. Sancho I, em 1190. Na mesma altura, mandou repovoar e reedificar a fortaleza desmantelada nas lutas contra Leão. Mais tarde, em 1217, D. Afonso II confirmou novamente o primeiro foral.
A Ordem do Templo mandou reedificar a fortaleza e as muralhas em 1293. Com D. Dinis obteve, em 1308, Carta de Feira na capela de São Pedro de Vir-a-Corça.
D. João de Sousa, Marquês de Minas
O rei D. Manuel I outorgou-lhe novo foral e deu-lhe a categoria de Vila no ano de 1510.
Em meados do séc. XVII D. Luís de Haro, ministro de Filipe IV, tentou o cerco a Monsanto, sem sucesso.
Mais tarde, a Guerra Luso-Espanhola marca também a vivência desta povoação. No século XVIII, um exército Franco-Espanhol chefiado pelo Duque de Berwick invadiu Portugal. Este passou por Salvaterra do extremo, Idanha-a-Velha e Monsanto, tendo conquistado todas estas povoações.
Contudo, ainda durante o mesmo ano, um exército português, chefiado por D. João de Sousa, Marquês de Minas(1666-1722), inverteu estas conquistas Franco-Espanholas.
Esta povoação manteve o seu ritmo de desenvolvimento até ao século XVII, sempre baseado nas características locais.
Entre o século XVIII e 1853, Monsanto foi sede de concelho.
Daqui decorre a designação de "vila" ainda hoje atribuída pelos monsantinos à sede da freguesia.
O castelo e as muralhas de Monsanto encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 29 de Setembro de 1948.
Cavaleiro Templário
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem dos Templários, Ordem do Templo ou Ordem dos Cavaleiros, foi uma das mais famosas Ordens Militares de Cavalaria. A organização existiu durante cerca de dois séculos na Idade Média, fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito original de proteger os Cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista.
Vários entraram em Portugal ainda no tempo de D. Teresa, que lhes doou a povoação de Fonte Arcada, em Penafiel, no ano de 1126. Um ano depois, a viúva do conde D. Henrique entregou-lhes o Castelo de Soure sob compromisso de colaborarem na conquista de terras aos Mouros. Em 1145 receberam o Castelo de Longroiva e dois anos decorridos ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Santarém e ficaram responsáveis pelo território entre o Mondego e o Tejo, a montante de Santarém.
A partir de 1160, os Templários Portugueses ficaram sediados na cidade de Tomar. Depois de 1310, o rei D. Dinis procurou evitar a transferência dos bens da Ordem extinta para os Hospitalários.
Posteriormente, a 15 de Março de 1319, o Papa João XXII instituiu a "Ordo Militiae Jesu Christi" (Ordem da Milícia de Jesus Cristo), à qual foram atribuídos os bens da extinta Ordem no país. Após uma curta passagem por Castro Marim, a nova Ordem viria a sediar-se também em Tomar.
Actualmente, o 51.º Grão-mestre Universal da Ordem é D. Fernando Pinto Campello de Sousa Fontes.