Caramulo
É uma vila portuguesa que corresponde territorialmente à freguesia de Guardão, do município de Tondela.
Originalmente era conhecida por Paredes do Guardão mas, com a criação da Estância Sanatorial, passou a ser mais conhecida por Caramulo.
Como o nome indica, situa-se na Serra do Caramulo, a qual pertence, politicamente, aos distritos de Aveiro (parte ocidental) e Viseu (parte oriental).
O Caramulo, como Estância Sanatorial, foi criado em 1921 e foi a primeira vila do país a dispor de saneamento básico e electricidade.
Esta povoação foi elevada a vila em 1 de Fevereiro de 1988.
O Caramulo nasceu para cuidar dos tuberculosos mas com a progressiva erradicação da doença e os novos tratamentos, a estância foi desactivada e, aos poucos, foram encerrados e abandonados os 19 sanatórios que acolhiam doentes de todo o país.
O Museu do Caramulo, fundado nos anos cinquenta do século XX por dois irmãos, Abel e João de Lacerda, é um dos ex-libris da vila.
Capela da Nossa Senhora da Boa Esperança
Trata-se de uma construção recente, talvez dos anos 30, e que se insere no estilo Estado Novo.
Este dado é fornecido pelas arestas bem definidas e marcadas, pelas pilastras que apesar de imitarem o barroco, deixam transparecer uma linearidade bastante mais estilizada, característica deste estilo arquitectónico, possibilitado pelas técnicas de construção que nele vigoraram.
Terá eventualmente sido erigida aquando da construção dos muitos sanatórios daquela que foi a maior e mais moderna Estância Sanatorial da Península Ibérica, dedicada ao tratamento da tuberculose.
Continua, nos dias de hoje, a ser utilizada para os fins religiosos para o qual foi construída.
Cruzeiros de Janardo
O aparecimento do Cruzeiro remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurou-se cristianizar todos os sítios e monumentos pagãos. A cruz era o símbolo usado para levar a cabo o processo de cristianização. Com o imperador Constantino a cruz tornou-se no elemento simbólico dos cristãos.
Encontram-se nas bermas dos caminhos, nas praças, no alto dos montes, perto das povoações ou isoladas. São mais ou menos monumentais, com primores de pendor artístico uns, outros lisos.
Os Cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias. Por trás de cada Cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.
Os Cruzeiros têm sempre uma relação directa com os mortos.
No local onde se cometeu um pecado, onde se adorou um ídolo pagão, onde aconteceu uma tragédia, uma violação, um assalto, edifica-se um cruzeiro.
Marcam, pois, locais de acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos.
Muitos dos aspectos da vida interior dos cruzeiros aparecem plasmados nas suas inscrições.
Os Cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja e dão a volta ao redor do Cruzeiro. Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí realizavam-se rituais pagãos que remontavam ao culto dos Lares Viais.
Normalmente não têm grande valor histórico e artístico, contudo há alguns que são bons exemplares, bem desenhados e esculpidos. Há inscrições memorativas que distinguem muitos deles.
Os Cruzeiros de Janardo são os primeiros sinais de uma das celebrações religiosas mais importantes da zona – A Festa das Cruzes. Os pilares com a inscrição do nome das freguesias envolvidas na celebração vão-se sucedendo ao longo do caminho pela ordem da sua chegada na 5ª feira da ascensão de cada ano, até chegarmos à Capela de São Bartolomeu.
Capela de São Bartolomeu
A capela com o orago de São Bartolomeu, implantada no Cabeço do Castro do Guardão, possui inserida na parede interior junto ao altar mor, uma inscrição romana conhecida por 'Terminus Augustalis'.
Calçada Romana no Carvalhinho
Em Carvalhinho, após passar na ponte medieval sobre a Ribeira do Xudruro e até à Capela de Santa Luzia, existe um troço bem conservado de calçada romana.
Ribeira do Xudruro e Ponte Medieval
As águas da Ribeira do Xudruro vão desaguar à vila do Caramulo, famosa devido às águas que brotam da serra, puras e cristalinas.
A travessia da Ribeira do Xudruro é bastante agradável e o ruído da água indicia claramente a proximidade de uma linha de água com cascatas. Junto à ponte medieval sobre a ribeira, local de grande beleza, a água corre em pequenas cascatas.
Capela de Santa Luzia
Esta capela, erigida na pequena aldeia de Carvalhinho, freguesia de Guardão, concelho de Tondela, é consagrada a Santa Luzia.
De traçado simples e construída em granito, possui uma nave e dois pisos. Foi-lhe adossado um balcão com degraus em granito e protegido por um gradeamento de ferro à fachada lateral esquerda para dar acesso a uma porta pela qual se acede ao piso superior da capela.
À esquerda, sobre o telhado da capela existe um nicho onde se encontra o sino e, do lado direito, um alto-falante, acessório quase imprescindível nesta região.
Carvalhinho
Esta pequena aldeia da Serra do Caramulo pertence à freguesia de Guardão, concelho de Tondela, Distrito de Viseu.
Persistem muitos aspectos relacionados com a construção típica e rústica da região em granito. São também visíveis diversos elementos rurais devido ao facto da agricultura ser o maior meio de subsistência da população local.
De referir que nas suas proximidades existem vestígios da ocupação romana, existindo uma calçada romana, ainda em bom estado de conservação, que liga a ponte sobre a Ribeira do Xudruro e a Capela de Santa Luzia.
Cadraço
É um povoado de pequenas dimensões situado na Serra do Caramulo e que pertence à freguesia de São João do Monte, concelho de Tondela, distrito de Viseu.
Esta localidade caracteriza-se essencialmente pela quantidade de espigueiros de madeira que possui.
Museu do Caramulo
Fundado nos anos 50 do século passado pelos irmãos Abel e João Lacerda, o museu é constituído por dois edifícios, um dedicado à arte e o outro aos automóveis antigos, estando ambos abertos ao público durante todo o ano.
Num dos edifícios pode-se visitar a invulgar colecção do filantropo Abel Lacerda, composta por cerca de quinhentas peças de pintura, escultura, mobiliário e tapeçarias, que vão da era romana à época contemporânea, e que foi sendo enriquecida com ofertas de coleccionadores e artistas de renome, como Vieira da Silva, Jean Lurçat, Salvador Dali e Pablo Picasso.
O edifício anexo foi construído por João de Lacerda para albergar 100 automóveis e motos, permitindo que todos os veículos pudessem circular para fora do edifício sempre que necessário.
Este edifício dispõe de uma exposição permanente que inclui 30 motociclos e 70 automóveis (dos quais 14 veteranos), representando 36 marcas de 7 países. O mais antigo é um Benz de 1886 e o mais recente é um Ginetta-Zytek GZ09S/2, de 2009.
O Museu do Caramulo tem, desde 2004, uma exposição permanente de brinquedos antigos e miniaturas de colecção.
Esta nova exposição, com carácter permanente, conta com mais de 4000 peças e cobre quase um século da história do brinquedo e do coleccionismo, mostrando a evolução do brinquedo e das miniaturas através das suas várias fases e materiais. Da lata ao plástico, da massa ao ferro, a exposição oferece uma grande variedade não só em termos das peças expostas, como na origem dos países e formas de produção.