Caracterização da Serra do Buçaco

 

Serra do Buçaco

 

Enquadramento Biológico

O património biológico da Mata do Buçaco (2009)

A Serra do Buçaco integra um valioso património natural e uma grande diversidade vegetal e animal, constituindo um santuário para algumas espécies raras.

Dentro dos limites das suas fronteiras localiza-se a Mata do Buçaco, possuidora de espécies vegetais e animais dificilmente encontradas em qualquer outro ponto do país e da Europa.

As cerca de 150 espécies de vertebrados (aves, peixes, anfíbios, répteis e mamíferos) conhecidas na Mata do Buçaco beneficiam da riqueza da sua flora. Nos seus limites existem 10 espécies de anfíbios das 17 existentes em todo o país e, pelo menos, 14 espécies de morcegos das 25 do continente.

Em termos de aves, existem mais de 80 variedades registadas.

A salamandra lusitânica, o lagarto de água e a toupeira são alguns dos vários animais que só existem na Península Ibérica que frequentam a mata, em cujas linhas de água habita o ruivaco, uma espécie que só existe em Portugal.

Com mais de 250 espécies de árvores e arbustos de todo o mundo e a sua floresta relíquia (árvores autóctones, vestígio de floresta primitiva), a mata está inserida na bacia do Mediterrâneo, considerada um dos 25 ‘hotspots’ de biodiversidade do mundo e o terceiro mais importante do ponto de vista botânico.

Rica em árvores centenárias e de porte gigantesco como é exemplo a espécie “Cupressus lusitanica Miller”, vulgarmente conhecida como cedro-do-buçaco ou cedro-de-portugal, constituem, pela sua diversidade, uma das melhores colecções dendrológicas da Europa, quer da flora climácica da Serra do Buçaco, quer de um conjunto muito diversificado de espécies exóticas – ciprestes, araucárias, eucaliptos, pseudo-tsugas e sequoias – entre muitas outras.

 

Enquadramento Geológico

Formações rochosas em Penacova (2015)

Inserida na bacia hidrográfica do Rio Mondego, esta região apresenta um relevo acidentado e com vales encaixados. O enquadramento geológico desta serra é comum ao da Serra da Aveleira, Serra de Gavinhos e Serra da Atalhada.

A região que se estende desde a região de Penacova até ao Buçaco apresenta variadas formações litológicas. Num percurso relativamente pequeno facilmente se toma contacto com os grupos mais significativos de rochas.

Nesta região afloram quartzitos que fazem parte do sinclinal do Buçaco e que se estende até Góis. Estes quartzitos ocorrem em bancadas verticais, dando a impressão de estantes com livros, daí a designação de “Livraria do Mondego”, como é conhecido.

Ainda na região, o sinclinal é cortado por falhas N-S a ENE-SSW, que fazem parte da falha de Penacova que devido a este “acidente”, o Mondego descreve uma curva muito pronunciada.

Os xistos observam-se em vários pontos, nomeadamente em Penacova.

Nas localidades de Contenças e Palheiros encontram-se diabases, sendo visível em alguns afloramentos a tão caraterística disjunção esferoidal. De referir que ainda é possível observar xistos negros com graptólitos e xistos argilosos com trilobites nos mesmos locais.