
As Guerras Napoleónicas – Traduziram-se num conflito armado que se estendeu entre 1799 e 1815, opondo a quase totalidade das nações europeias a Napoleão Bonaparte, herdeiro da Revolução Francesa e ditador militar.
Napoleão chegou ao poder como Primeiro Cônsul em 1799, vindo a ser coroado Imperador da França, em 1804, sob o título de Napoleão I. A partir de 1807 conduziu o governo sem atender aos Corpos Legislativos e com características autoritárias, imperiais e expansionistas.
As guerras, a princípio localizadas como conflitos entre soberanos, tornaram-se guerras nacionais a partir da resistência popular de Espanha e Portugal, a Guerra Peninsular, aos invasores napoleónicos. Com o apoio da Grã-Bretanha, as nações europeias, derrotadas em sucessivas coligações, acabaram por se impor a Napoleão na Batalha de Waterloo, em 1815.
A Guerra Peninsular – ocorrida entre 1807 e 1814, foi um conflito militar entre o Primeiro Império Francês e os aliados do Império Espanhol, e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e o Reino de Portugal, pelo domínio da Península Ibérica durante as Guerras Napoleónicas.

– O conflito teve início quando os exércitos franceses e espanhois invadiram e ocuparam o teritório português, após terem assinado o Tratado de Fontainebleau, no qual se decidia a divisão de Portugal.
A guerra teve início a 27 de Outubro de 1807, tendo escalado em 1808 após a França se ter voltado contra a Espanha, a sua aliada até então, prolongando-se até à derrota de Napoleão pela Sexta Coligação em 1814, sendo vista como uma das primeiras guerras de libertação nacional e significativa na emergência da guerrilha em grande escala.
O Tratado secreto entre a Espanha e a França, assinado em Fontainebleau, estabelecia a divisão de Portugal conquistado e as suas dependências por ambos os signatários.
De acordo com o Tratado, a Lusitânia do Norte, correspondendo ao território situado entre os rios Minho e Douro, seria convertido num principado e entregue ao soberano do então extinto Reino da Etrúria (Estado que durou de 1801 a 1808, criado por Napoleão Bonaparte no centro da península Itálica, com capital em Florença. Na altura, Maria Luísa de Espanha, filha de Carlos IV de Espanha, assumia a função de regente).
As províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura portuguesa ficariam por dispor até que houvesse paz, sendo posteriormente distribuidas segundo as circunstâncias e segundo o que se concordasse fazer entre as duas partes contratantes.
Os Algarves e todo o território português localizado a sul do Tejo seriam governados por Manuel de Godoy, com o título de Rei. O resto de Portugal, entre o Douro e o Tejo, um território estratégico devido aos seus portos, seria administrado pelo governo central em Paris até à paz geral.

A Primeira Invasão Francesa – A 21 de Novembro de 1806, a França impôs a Portugal o encerramento dos seus portos marítimos aos ingleses com o objectivo de obrigar a Inglaterra a capitular. Portugal procurou manter a neutralidade no conflito mas a aliança e a dependência económica face à Inglaterra não aconselhavam os governantes portugueses a acatar a imposição francesa.
Perante a indefinição portuguesa, franceses e espanhóis assinam, a 27 de Novembro de 1807, o Tratado de Fontainebleau. D. João VI ainda tentou mudar de planos e fazer cumprir o bloqueio, mas já era tarde demais. Bonaparte avança com a Primeira Invasão Francesa no território português.
Sob o comando de Jean-Andoche Junot, as tropas francesas entraram em Espanha a 18 de Outubro de 1807, atravessando a Península e chegando à fronteira portuguesa a 20 de Novembro.
Sem encontrarem qualquer tipo de resistência, chegaram a Abrantes no dia 24, a Santarém a 28 e, finalmente, a Lisboa no dia 30.
No dia anterior, a família real e a corte fugiram de Portugal rumo ao Brasil, transportados por navios britânicos. Portugal ficou entregue a uma Junta de Regência provisória com ordens para não resistir.
Um ano depois, uma força britânica comandada por Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington) desembarca em Portugal, avançando sobre Lisboa. O exército anglo-português consegue derrotar os franceses na Batalha da Roliça e na Batalha do Vimeiro, forçando à Convenção de Sintra.
Os franceses foram autorizados a retirar-se do país levando consigo todo o produto dos saques perpetrados em Portugal. A Convenção beneficiava, assim, os dois lados, já que os franceses tinham perdido a sua capacidade de comunicação com Paris e os britânicos e portugueses ganhavam o controlo sobre Lisboa.