
Loriga
É uma vila e freguesia portuguesa do concelho de Seia, distrito da Guarda, e possui uma povoação anexa, o Fontão. Faz parte do Parque Natural da Serra da Estrela e encontra-se situada na parte Sudoeste da Serra da Estrela, a 20 km de Seia e a 80 km da capital de distrito, a Guarda. Loriga foi, em tempos, uma ocupação romana, cujos vestígios proliferam pela vila.
Situada num vale glaciar, local onde se encontra a vila e a Garganta de Loriga, é considerada ponto de interesse geológico.
Loriga é conhecida como a "Suíça Portuguesa" devido à sua extraordinária localização geográfica. Situada a cerca de 770 metros de altitude, na sua parte urbana mais baixa está rodeada por montanhas, das quais se destacam a Penha dos Abutres, a 1.828 metros de altitude, a qual possui um marco geodésico no seu ponto mais alto, e a Penha do Gato, a 1.771 metros.
Esta localidade é banhada por dois cursos de água: a Ribeira da Nave e Ribeira de São Bento, que se unem posteriormente junto da E.T.A.R. para formarem a Ribeira de Loriga, um dos afluentes do Rio Alva.
Os socalcos e a sua complexa rede de irrigação são um dos grandes ex-libris de Loriga, uma obra construída ao longo de centenas de anos e que transformou um vale rochoso num vale fértil. É uma obra que ainda hoje marca a paisagem, fazendo parte do património histórico da vila, demonstrativa da genialidade dos seus habitantes.

Capela de Nossa Senhora do Carmo em Loriga
A Capela da Nossa Senhora do Carmo, antiga ermida de São Gens situada no centro do Bairro de São Ginês, está muito bem guardada e protegida pelos moradores desse lugar pitoresco de Loriga.
Vem de longe a existência da capela naquele local, sendo desconhecida a data certa da sua construção sabe-se que foi uma ermida visigótica dedicada a S. Gens. Este santo, de origem céltica, foi martirizado em Arles na Gália, no tempo do imperador Diocleciano. Sabe-se que em 1524 ainda mantinha o seu antigo orago que era ainda muito venerado.
Em 1758 ainda se fazia referência à dita capela, não com o actual orago, mas sim a San Gens, sabendo-se até que resistiu ao grande terramoto de 1755, que nesse ano assolou o nosso país e arrasou quase totalmente Lisboa. Facto estranho, mas é certo que dificilmente se poderá saber a razão do abandono e ruína desta ermida e desprezo pelo seu anterior orago em finais do século XVIII o qual foi substituído pelo de Nossa Senhora do Carmo quando foi reconstruída. Nem o nome do santo escapou incólume passando a ser conhecido, há séculos, por S. Ginês.
Durante alguns anos esteve só com paredes e telhado e, só depois de ser feito o altar, foi restituída ao culto em 1938. Para quem não saiba, muito boa gente poderá ser induzida no erro de que, a data de 1909, inscrita na fachada por cima da porta, corresponde à data da existência da capela naquele local. Na realidade, a data corresponde à última das grandes reconstruções que esta capela foi sofrendo ao longo da sua longa existência de mais de mil anos.
No século passado, mais precisamente em 1881, quando um tremor de terra que se fez sentir na região da Beira, a igreja matriz ruiu e esta capela foi utilizada na realização de alguns actos religiosos. Já no século XX, quando da grave epidemia que aconteceu em Loriga no ano de 1927, na capela da Senhora do Carmo, foi improvisado um balneário, sendo dotada com banheiras e água canalizada. Nesta altura, a capela estava praticamente desactivada religiosamente, pois apenas tinha as paredes e o telhado.
A capela de Nossa Senhora do Carmo possui um altar em madeira ornamentada, e imagens antigas e de muito valor, onde não poderia faltar o São Genês, precisamente o patrono deste Bairro.
Actualmente, a festa em honra de Nossa Senhora do Carmo realiza-se de dois em dois anos, no dia 4 de Junho e foi levada a efeito numa organização conjunta entre os moradores deste bairro e do bairro das Penedas.

Igreja Matriz de Loriga
A sua Igreja Paroquial tem na sua fachada a inscrição de 1233. Sabemos hoje que esta pedra não pertence à actual Igreja tendo ali sido colocada aquando do restauro pós 1755. Sabe-se que a Igreja de Loriga foi mandada construir pelo rei D. Sancho II em cima das ruínas de um pequeno templo visigótico do qual foi aproveitada a pedra onde foi gravada a data da construção, o ano de 1233. Sabemos hoje que esta pedra não pertence à actual Igreja tendo ali sido colocada aquando do restauro pós 1755.
A Igreja foi dedicada desde logo a Santa Maria Maior, um templo românico cuja traça tinha semelhança com a da Sé de Coimbra. É a partir do século XVI que se conhece, em mais profundidade, a história da Igreja em Loriga, sabendo-se que sempre esteve situada no local onde hoje se encontra. Existem relatos antigos de que o subsolo da igreja, sacristia e adro estão cheios de ossadas, uma vez que na Idade Média era norma, segundo o uso cristão desses tempos, merecerem os defuntos sepultura eclesiástica, na própria igreja e nos terrenos em redor da mesma. Em concreto sabe-se que no ano de 1851 ter sido sepultado, ao fundo dos degraus do altar-mor, o Reverendo Sebastião Mendes de Brito, pároco de Loriga.
A Igreja de Loriga, através do que se conhece, já foi por diversas vezes destruída sofrendo, por isso, diversas transformações, tendo em conta os desabamentos ocorridos em virtude de terramotos que assolaram o país. Assim, em 1755, aquando do grande terramoto que abalou o país, onde Lisboa ficou completamente destruída, a igreja de Loriga ruiu. Sendo novamente reconstruída após o terramoto de 1755, já não conservou a mesma feição arquitectónica da anterior. No século seguinte, em Setembro de 1882, novo tremor de terra também muito sentido em Loriga que pareceu, em princípio, não ter grande gravidade. As consequências viriam mais tarde. Em Novembro seguinte, e quando era celebrada a missa, estalou a viga mestra da igreja tendo, de imediato, sido efectuada a desocupação do templo e retirando algumas imagens e outros artigos. Só no fim do dia aconteceu o desabamento quase completo, tendo apenas ficado em pé a torre, apesar de muito danificada.
Em 1884 foram terminados os trabalhos da reconstrução da igreja, passando, desde então, a manter a mesma estrutura com uma ou outra modificação de conservação que foi acontecendo. No ano de 1929 foi ainda a igreja de Loriga, cenário de tragédia, quando desabou um "palanque" construído em anexo ao coro.
A Igreja de Loriga tem, além do altar principal, mais quatro altares, todos eles considerados de rara beleza, bem como as imagens que ali figuram. Tem também coro e ainda uma torre onde os seus sinos fazem chegar bem longe os seus sons.
Houve, em tempos, a ideia de construir uma nova igreja noutro local da Vila, no entanto essa ideia não prevaleceu, mantendo-se até aos dias de hoje.

Calçada Romana em Loriga
Para responder às exigências do modo de vida, nomeadamente as deslocações dos exércitos romanos, as trocas comerciais, permitindo uma ligação mais rápida entre as principais cidades e ainda uma melhor ligação no envio para Roma das riquezas e impostos, os Romanos procederam à construção de uma rede de estradas e pontes, que continuam a permanecer até hoje entre nós. Uma dessas estradas passava em Loriga, uma ligação das terras mais a Sul, até às terras de Sena e de Conimbriga.
A estrada romana ligava Lorica a Egitânia (Idanha-a-Velha), Talabara (Alpedrinha), Sellium (Tomar), Scallabis (Santarém), Olisipo (Lisboa) e a Longóbriga (Longroiva), Verurium (Viseu), Balatucelum (Bobadela), Conímbriga (Condeixa) e Aeminium (Coimbra). Era uma espécie de estrada estratégica destinada a ajudar a controlar os montes Hermínios onde viviam tribos lusitanas muito aguerridas.
No seu trajecto por esta localidade, são ainda bem visíveis, em muitos locais, alguns troços da Calçada Romana que passava sobre as duas ribeiras, tendo os Romanos construído duas pontes, uma das quais ainda existente.

Panorâmica para o Vale de Loriga
Na entrada/saída do Vale Glaciar é possível ter uma panorâmica fantástica sobre o vale de Loriga.
No fundo da garganta vêem-se as águas da Ribeira de Loriga que mais perto da povoação foi transformada em Praia Fluvial.

Vale Glaciar de Loriga
O Vale de Loriga teve origem glaciar, tal como o Vale do Zêzere, este situado do lado oposto da Serra da Estrela. O mesmo glaciar, que se situava no planalto superior da serra, dividiu-se e rasgou estes dois vales e outros vales menores e menos imponentes.
Porém, os dois vales glaciares mais imponentes da Serra da Estrela são diferentes. Do lado de Loriga, o facto do granito ser mais compacto e sólido dificultou os efeitos erosivos do glaciar de Loriga. Por este motivo, enquanto do lado de Manteigas o glaciar abriu o característico vale em U aberto, do lado de Loriga o gelo rasgou um vale mais estreito, deixando altos penhascos e encostas.
Outra característica do vale são as depressões em socalcos, onde outrora existiram lagoas, conhecidas como covões. A maior dessas depressões teve aproveitamento hídrico considerável, a Barragem de Loriga ou Barragem do Covão do Meio. De referir uma outra depressão chamada Covão da Areia, que se encontra na Garganta de Loriga.

Torre
É o ponto de maior altitude da Serra da Estrela e de Portugal Continental, e encontra-se a uma altitude de 1.993 metros. Em Portugal, apenas é superada pela Montanha do Pico, nos Açores, a cerca de 2.351 metros de altitude.
Limita quatro freguesias: Unhais da Serra (Covilhã), São Pedro (Manteigas), Loriga (Seia) e Alvoco da Serra (Seia). Por esta razão, o ponto mais alto de Portugal Continental é partilhado pelos três municípios aos quais estas freguesias pertencem: Covilhã, Manteigas e Seia.
Dos poucos edifícios que existem neste ponto, a Torre é, provavelmente, o mais carismático. Com sete metros de altura, terá sido mandada construir pelo rei D. João VI no início do século XIX, como forma de completar os 2.000 metros de altitude da Serra da Estrela.
Junto a esta torre existem outras duas construções, os Antigos Radares da Força Aérea Portuguesa, que estiveram instalados entre 1957 e 1971, no âmbito da defesa NATO. Curiosamente, estas cúpulas ultrapassam em altura a velha torre de pedra. Ainda a destacar no local é a antiga Capela de Nossa Senhora do Ar, pertença da Força Aérea, edificada junto às antigas torres de radar, e os edifícios destinados ao comércio dos produtos da região, nomeadamente, a venda do famoso queijo da Serra da Estrela, os enchidos tradicionais, os lanifícios e o mel.
Para além destes, existe um grandioso marco geodésico que assinala o ponto mais elevado da Serra da Estrela e um miradouro do qual se observa a beleza da paisagem sobre os vales encaixados de xisto e granito, recortados por diversos cursos de água. No Verão, especialmente em dias claros, consegue-se avistar o mar, vendo-se, ao longe, a zona da Figueira da Foz.
As temperaturas mínimas que se fazem sentir no cume da Serra da Estrela, as mais baixas de Portugal, chegando a atingir os -20°C no Inverno, e a abundante queda de neve que se faz sentir durante esse período atrai um grande número de turistas a este local privilegiado da Serra da Estrela, aumentando o turismo na região e, consequentemente, a ocupação da Estância de Esqui existente nas proximidades.

Capela de Nossa Senhora do Ar
A antiga capela da Força Aérea Portuguesa, situada no ponto mais alto da Serra da Estrela, junto às antigas torres de radar, esteve abandonada durante cerca de trinta anos.
Sujeita à intempérie que provocou a degradação do edifício e a sucessivos actos de vandalismo dos passantes com o consequente desaparecimento de todo o recheio, bem como das imagens dos santos e das peças de paramentaria, foi totalmente recuperada pela Turistrela, empresa que gere o turismo na Serra da Estrela, e entregue à Diocese da Guarda para a prática do culto religioso.
A 7 de Outubro de 2007, o Bispo da Diocese da Guarda, D. Manuel da Rocha Felício, presidiu à inauguração das obras de restauro da Capela de Nossa Senhora do Ar.

Lagoa do Covão do Meio
A Lagoa do Covão do Meio foi construída no segundo covão glaciar do Vale Glaciar de Loriga, também conhecido por Garganta de Loriga.
A lagoa do Covão do Meio entrou em funcionamento em 1953. É uma lagoa artificial do tipo “arco de abóbada” que possui um dique de 25 metros de altura (ponto máximo) com uma extensão de 287 metros.
Uma característica desta lagoa é a existência de um túnel, de aproximadamente 2355 metros de extensão, que canaliza a água para a Lagoa Comprida.
Está localizada à altitude de 1.650 metros.

Lagoa Serrano
A Lagoa Serrano é alimentada pelas linhas de água do Covão de Loriga e do Covão das Quelhas.
É uma pequena lagoa que contribui para o incremento da capacidade hidroeléctrica da barragem do Covão do Meio.
Está localizada à altitude de 1.790 metros.

Lagoa do Covão das Quelhas
De origem artificial, a Lagoa do Covão das Quelhas é alimentada pelas linhas de água do Covão de Loriga e do Covão das Quelhas.
A lagoa tem cerca de 4,4 ha de área. Um pequeno açude permite o aumento da sua capacidade, contribuindo igualmente para o incremento da capacidade hidroeléctrica da barragem do Covão do Meio.
Está localizada à altitude de 1.810 metros.