Ficha Técnica
O percurso que agora apresentamos não é acessível a toda a gente pois não se encontra marcado e é extremamente exigente fisicamente. Requer também experiência em percursos de aventura, sendo importante uma escolha adequada do trajecto devido ao mato e à inexistência de caminho. É necessário conhecimentos na leitura e interpretação de cartas militares (GPS para quem tenha o track do percurso).
Propomos a partida para esta aventura na povoação da Póvoa das Leiras, junto ao coreto. Desce-se a rua na direcção do cruzeiro, continuando mais uns metros até a um estradão, aberto recentemente, que nos surge à direita. Segue-se esse estradão que passa sobre uma linha de água, invertendo o sentido.
O estradão acompanha um muro, desviando à direita, dando entrada no percurso que dá o nome ao trilho, o ‘Trilho dos Incas’.
Este maravilhoso trilho de laje contorna a serra, a meia encosta, encaixando-se numa linha de água onde começa a subir na direcção da Serra da Ribeira.
Acabando a subida, um trilho de pé posto, actualmente bem visível no terreno, sobe o resto da encosta até encontrar uma mariola alta.
Neste ponto é possível descer a serra até Covelo de Paivô, mas não é essa a nossa proposta. É ainda possível observar a encosta pela qual desceremos.
Voltamo-nos para as eólicas, no Alto da Cota, e seguimos o trilho nessa direcção. O mesmo sobe um pouco em linha recta, derivando depois à esquerda e subindo em ziguezague a encosta até junto das eólicas. Até aqui o percurso não apresenta percalços de maior.
Agora estamos na pior fase do percurso em termos de decisão. Entre a serra que acabámos de subir e a encosta que pretendemos descer existe uma linha de água que é preciso evitar.
Caminhamos pelo topo da serra, passando a linha de água e depois escolheremos um ponto de observação para melhor seleccionar como descer a encosta. Não existe percurso definido, pelo menos visível, e o mato é alto, embora não agressivo. Depois de escolhido o objectivo e com calma encontraremos, entre a vegetação, pontos de passagem, devendo, no entanto, ter muito cuidado ao descer. Um bastão pode ajudar a ‘bater’ o terreno em busca de eventuais buracos ou descidas mais acentuadas e também apoiar na descida. Todo o cuidado é pouco para evitar alguma queda ou entorse indesejada.
Ultrapassada esta fase e já na encosta, embora continue a não existir um caminho definido, as coisas tornam-se mais fáceis sendo a descida efectuada pela cumeada da mesma. Pelo caminho vão aparecendo diversas mariolas que podem ajudar a manter o rumo.
Já na fase final da descida, com o Rio Paivô à vista e o barracão do Pego também em linha de visão, a inclinação do terreno acentua-se fortemente. Mais uma vez o mato adensa-se e a progressão complica-se. A descida deve ser feita novamente com muito cuidado, em busca do melhor ponto de passagem entre o mato, começando a derivar à direita.
O objectivo é chegar ao rio, do lado direito da descida, fazendo uma primeira abordagem a um patamar rochoso que faz com que o rio faça uma curva apertada. Chegando a esse patamar deve-se procurar, com calma, uma descida que nos leve até junto do rio e das árvores que nos surgem do lado direito.
Há uma descida pela rocha que calmamente nos leva até ao nível do rio, tendo apenas que atravessar o mesmo sobre as pedras do leito. Embora um pouco escondida pelo mato a descida está lá e evita ‘invenções’ que podem ser perigosas. Mais vale perder um bocado à procura dela.
Já no leito do rio pode-se aproveitar para descansar e tomar um banho na lagoa de água fresca.
Deixando essa lagoa nas costas saímos caminhando para o nosso lado direito atravessando um pequeno campo, agora com erva alta. Com atenção verificamos que surge uma rampa em pedra do nosso lado esquerdo que nos levará a um muro caído. Passado o muro sobe-se um pouco até a um caminho que sobe também para a nossa esquerda. Passaremos por um barracão, contornando-o pela sua esquerda e seguimos até encontrarmos uma chapa de zinco e vermos uma casa rústica na nossa frente. É o lugar do Pego.
Seguimos pela nossa esquerda num trilho de pé posto que nos levará ao Alto de Regoufe. No percurso é necessário transpor uma linha de água e a velha ponte em madeira que o permitia ardeu nos últimos incêndios (2017), pelo que, a alternativa, é descer à linha de água e subir do outro lado. Pelo caminho poderemos observar o Rio Paivô, a represa de água junto ao Pego e a ‘Garra’ pela qual descemos.
O trilho acentua o desnível após a passagem da linha de água aumentando ainda mais a dificuldade na fase final da subida.
A chegada ao Alto de Regoufe é o momento ideal para mais um descanso, enquanto se pode observar todo o trajecto efectuado. No mínimo a paisagem é impressionante.
A descida para Regoufe faz-se por um trilho com muita pedra solta, o que o torna um bocado desagradável na sua parte final. Na aldeia há a possibilidade de abastecer de água e usufruir do café local para refrescar ou adquirir algum alimento ou bebida (lembrem-se que ainda terão 4 a 5 horas de marcha para realizar e outras tantas horas já realizadas). O café fica no ponto alto da aldeia o que não facilita a vida aos caminheiros.
De Regoufe para Covelo de Paivô o trilho encontra-se marcado, sendo o percurso ‘PR13 – Na Senda do Paivô’ (Arouca). Trata-se de um trilho de grande beleza, quase sempre em laje, com uma vista magnífica sobre as Serras da Arada e Freita, a Ribeira de Regoufe e sobre o Rio Paivô. O caminho é quase sempre descendente, o que pode massacrar joelhos, tornozelos e pés.
O trilho acaba junto à Igreja Paroquial de São Pedro em Covelo de Paivô e implica descer a aldeia até ao rio.
Atenção que a subida da serra ainda vai levar umas boas horas, pelo que deverão verificar se possuem água para o fazer em segurança. Se necessário for, deve-se abastecer num dos fontanários da povoação (em quase todos está um letreiro de água imprópria para consumo, à semelhança do que acontece em Regoufe, pelo que o ideal seria, se necessário, adquirir água no café de Regoufe). No entanto no nosso passeio fomos informados pelas pessoas de Covelo que é nesses fontenários que se abastecem. Nós fizemo-lo e nada nos aconteceu de mal (mas não será, porventura, a melhor decisão).
Desce-se até à aldeia, passando por uma velha ponte, seguindo o caminho até ao rio.
Atravessando o rio pelas pedras (poldras) pode-se observar que no seu lado esquerdo, um pouco ao fundo, faz uma espécie de represa. Encostado a essa represa tem uma lagoa muito boa para refrescar o corpo. Aconselhável, se estiver calor, a ir lá tomar um banho antes da subida. Cuidado a andar dentro de água que as pedras escorregam bastante.
Tomado o banho inicia-se a subida por um estradão que pouco depois curva à esquerda e segue contornando a serra. O estradão apresenta um desnível elevado, subindo acentuadamente durante bastante tempo. É normalmente nesta altura que começam a sentir-se as dificuldades físicas. O acumular de horas de marcha, o esforço e o desnível da subida começam a deixar marcas. É também altura de saber dosear o esforço, subindo com calma, parando para descansar sempre que necessário.
Na parte final da subida o trilho desvia ligeiramente à direita, atenuando o desnível. Passa depois a caminho de pé posto, um pouco encoberto pela vegetação. Este trilho foi, em tempos, a ligação entre as povoações de Covelo de Paivô e da Póvoa das Leiras.
Saindo do velho trilho o objectivo é chegar à primeira torre de alta tensão. Há um pedaço de caminho já tapado pelo mato mas consegue-se caminhar com alguma facilidade até à referida torre. Nesse ponto ignora-se o estradão aberto entre as diversas torres de alta tensão.
Parte-se dessa torre subindo por um cabeço alto. Apanharemos pouco depois o trilho que não mais abandonaremos. As subidas vão-se sucedendo, até chegarmos a uma primeira mariola grande. Continuamos até uma segunda mariola na qual se desvia para o caminho à direita, que leva à entrada do ‘Trilho dos Incas’. Seguindo por esse caminho, a partir da mariola, vai-se ter à entrada/saída do trilho que serpenteia pela encosta em frente. É importante que assim seja porque é uma zona de falésia onde uma opção errada pode levar a uma situação muito perigosa.
Tendo já percorrido este trilho, no início da caminhada, certamente que já se estará familiarizado com ele. No entanto, após a entrada no mesmo, começa-se a descer em direcção a uma linha de água encaixada na qual o trilho faz uma curva acentuada. Inicia depois, em subida, a parte do percurso pelas ‘escadas’ lajeadas. O trilho decorre a meia encosta até desembocar num estradão aberto recentemente. Segue-se pelo mesmo até à Póvoa das Leiras, local onde se iniciou esta aventura.