Pedestrianismo nos Trilhos de Água

 

Ficha Técnica

 

 

A nossa proposta é partir de Regoufe, junto ao café local, em direcção ao Alto de Regoufe pelo trilho que depois pode ligar a Drave (PR14).

No alto surgem vários caminhos. À esquerda, aparece um caminho ascendente que liga ao Portal do Inferno e outro que liga a Drave. Ambos para ignorar. Um terceiro que surge em frente, ligeiramente descendente e curvando posteriormente para a direita segue na direcção de Regoufe. É também para ignorar.

Entre o caminho para Drave, assinalado com uma placa a dizer PR14, e este terceiro caminho surge, por trás da placa do PR14, uma espécie de tentativa de abertura de trilho descendente. Percorre-se um bocado desse caminho sempre com a atenção ao seu lado esquerdo onde surgirá um trilho de pé posto descendente e com muito cascalho solto. É esse trilho que nos levará ao Pego e depois ao Rio Paivô.

O percurso tem um início acentuadamente descendente, moderando depois o declive à medida que nos vamos aproximando do Pego. Começa, então, a serpentear pela encosta adaptando-se às curvas de nível do terreno.

O trilho, regra geral, está bem definido no terreno embora num ou noutro momento possa oferecer alguma dúvida. Um olhar mais atento resolve de imediato o problema.

Para além da paisagem magnífica e da visão para o Rio Paivô, que serpenteia ao fundo, o percurso também oferece alguma adrenalina no momento em que se tem que transpor uma linha de água. A velha ponte de madeira ardeu nos últimos incêndios, pelo que, a alternativa, é descer à linha de água e subir do outro lado.

A chegada ao lugar do Pego traz-nos sempre à memória a saudosa Dª Maria Pinto que sempre nos recebeu bem quando por lá passávamos ou acampávamos.

Continuando a caminhada seguimos para a direita, deixando para trás as ruínas do edifício que foi a sua casa, e passamos depois pelo barracão onde guardava utensílios de lavoura e produtos agrícolas.

Seguimos o caminho que curva à esquerda, junto ao barracão, e descemos ligeiramente até se sair pelo lado direito na direcção de um pedaço de muro caído. Descendo um pouco chegamos a um terreno perto de uma pequena lagoa do Rio Paivô.

A partir deste momento teremos que seguir pelo leito do rio onde teremos que ultrapassar alguns obstáculos.

Seguindo para o nosso lado direito, acompanhando o rio, chegamos a uma parte do mesmo coberta de cascalho. Procuramos na outra margem a primeira árvore e nesse ponto devemos atravessar o rio. Algumas pedras do rio permitem a passagem sem molhar as botas (caso não existam e com tantas pedras na zona colocamos nós algumas para servirem de passagem). Passamos por trás dessa árvore trepando algumas rochas e, pouco depois, saímos para um trilho que nos leva entre arbustos até uma zona com arvoredo de sombra fresca.

Surge aqui o maior obstáculo. Uma represa que forma uma cascata impossibilita a continuação pelo leito do rio.

No lado esquerdo do leito, junto à penúltima árvore, inicia-se uma subida pelas rochas. Não há necessidade de subir muito. Sobe-se apenas o suficiente para a meia encosta transpor o obstáculo e descer depois novamente para o leito do rio junto a um bloco que se destaca no mesmo. Com calma e com uma boa leitura do melhor caminho a percorrer pelas rochas transpõe-se a represa sem qualquer dificuldade de maior, embora possa ser um pouco sugestivo para algumas pessoas.

Entramos, então, definitivamente no leito do rio onde começará uma nova etapa deste trilho.

Uma nova represa surge mas é facilmente transposta pelo seu lado esquerdo (não ir pelo lado direito).

O passeio agora decorrerá sobre as rochas do rio ou por dentro de água ao sabor de cada um. No entanto, há aqui alguns conselhos muito importantes a não esquecer. Andar no rio é EXTREMAMENTE PERIGOSO!

NUNCA se entra em pé em zonas de laje ou pedra molhada. Se tal for necessário, a entrada na água deve ser feita sentado, deslizando sobre as rochas escorregadias. NUNCA se salta de pedra em pedra. Há pedras soltas, mal apoiadas e outras extremamente escorregadias.

Para caminhar dentro de água, a entrada nas lagoas e o caminho escolhido deve ser unicamente as zonas de cascalho pequeno que permitem andar de forma mais segura. As mãos devem ir libertas para poderem apoiar nas rochas.

NUNCA se deve saltar para dentro das lagoas porque não são suficientemente profundas e podem ter rochas ou pedras pontiagudas no seu fundo.

Com tranquilidade vai-se progredindo ao longo do Rio Paivô até aparecer uma velha ponte em laje de xisto. Esta ponte marca a saída do leito do rio e, à data desta Ficha Técnica, encontrava-se parcialmente caída. No entanto, recomendamos a continuação por mais umas dezenas de metros, passando, logo que possível, para a margem esquerda do rio, junto a uma linha de água que desagua neste.

Um pouco mais à frente encontraremos aquela que é a melhor lagoa para um bom banho. É hora de aproveitar este momento para descansar e refrescar e depois comer e beber alguma coisa que a parte difícil está para chegar.

Para entrar na lagoa aparece uma pequena ‘praia’ de cascalho e deve ser por aí, sempre pelo cascalho, que se deve entrar e sair da mesma. O cascalho oferece a segurança necessária evitando quedas potencialmente perigosas.

Após este maravilhoso momento de descanso está na hora do regresso a Regoufe. Voltamos ligeiramente atrás, até à ponte que passámos antes da lagoa, e subimos para o nosso lado esquerdo, na direcção a uma zona rochosa. Para o outro lado tem muito mato denso. Com alguma atenção vamos percebendo que já existiu um caminho. Subimos até nos aparecer um enorme monte de pedras de xisto. Seguimos pelo lado esquerdo do mesmo até acabarmos esta primeira parte ascendente.

Aparece-nos, bem lá no alto, o trilho que vai para Drave e ao qual teremos que chegar. A visão não entusiasma muito. Subimos agora a encosta em frente, sob o seu lado direito, fora de caminho. Surge o resto de um trilho que subiremos até o mesmo desaparecer sob cascalho. Daí em diante é sempre a subir pelo cascalho até vencermos também esta segunda encosta.

O trilho ainda está lá em cima mas cada vez mais perto. Continuamos a subida evitando a linha de água que nos aparece do lado direito, o que nos obriga a desviar um pouco para a esquerda. É o desafio final porque com mais um esforço chegamos ao estradão que identificámos no início como sendo o terceiro caminho. Seguimos o estradão para o nosso lado direito até chegarmos, de novo, ao Alto de Regoufe, junto da placa do PR14.

Depois é só fazer a descida para a povoação de Regoufe e dar por terminado mais um passeio e um dia fantástico.