Ficha Técnica
A nossa proposta é partir da aldeia de Regoufe seguindo o PR14 na direcção de Drave, mas no alto de Regoufe sairmos do trilho marcado subindo, à esquerda, por um trilho bastante íngreme que nos leva ao Alto Celado, transformando este trilho num percurso circular.
Após a chegada a Regoufe vale a pena visitar o antigo complexo mineiro que serviu os ingleses até finais da Segunda Guerra Mundial. A prospecção de volfrâmio, mineral usado para temperar o aço das armas, decaiu em valor e em interesse após o final do conflito mundial e este facto acabou por ditar o fim desta e de outras minas nos princípios da década de 50 do século XX.
Durante essa visita podem-se observar as ruínas dos diversos edifícios que a compunham e espreitar algumas escavações por lá existentes. É possível a entrada em algumas delas mas carece sempre dos devidos cuidados.
Desce-se depois pelas ruelas da aldeia, observando alguma arquitectura em xisto e as inúmeras características rurais da mesma, como a presença de gado caprino, bovino e dos belos galos e galinhas que correm à nossa frente.
Após a passagem pela aldeia surge a primeira dificuldade do passeio, com a subida, algo acentuada, até ao Alto de Regoufe, por um caminho cheio de pedra solta.
No topo, tem-se uma visão espectacular sobre a Serra da Arada e Serra da Freita, com a famosa “Garra” em fundo sob as eólicas do Alto da Cota.
À esquerda segue o caminho antigo para Drave mas optámos por continuar a subir por um recente estradão ainda mais íngreme que o anterior e que, no seu topo, permite abarcar uma panorâmica muito mais surpreendente. Sobe-se até ao Alto Celado num estradão que, a ser percorrido na totalidade, nos levaria até perto do Portal do Inferno.
No topo do trilho, Regoufe fica lá em baixo, num dos lados da falésia, aparecendo Drave no outro lado, também ela pequena e metida num vale apertado e profundo.
As paisagens são magníficas e abarcam todo o horizonte. Da Ribeira de Palhais até à cascata do Portal do Inferno e toda a panorâmica circundante fazem valer a pena o esforço da subida.
A descida para Drave surge muito antes do Portal do Inferno e implica uma boa leitura do terreno, atendendo a que grande parte das encostas foram devastadas pelos fogos, tornando a descida das mesmas perigosa pela instabilidade do solo (Julho de 2012). A encosta escolhida para a descida era, à data, a mais verde e a mais directa à aldeia.
Tomando-se como ponto de orientação a segunda linha de água que se atravessa após a subida ao Alto Celado, inicia-se a descida da encosta tendo a referida linha de água à direita, evitando tanto quanto possível a zona pedregosa (escombreira das Minas de Vale de Vapueiro). Deve-se evitar também uma nova linha de água que surge (a terceira indicada no mapa) mantendo-a, também, à direita de quem desce.
Desce-se com cuidado, mas sem grandes dificuldades, por uma linha de cota em direcção a um muro de pedra que termina mesmo junto à aldeia. Na fase inicial da descida não existe um trilho definido mas após a chegada ao muro é possível descortinar um pequeno carreiro que nos leva às primeiras casas de Drave.
A descida é íngreme, com alguma pedra solta e mato rasteiro, mas perfeitamente acessível.
Após a longa descida a visita à aldeia é o ponto mais alto do passeio. A beleza da mesma é impressionante e é pena verificar que a ruína começa a tomar conta de muitas das casas.
O ribeiro que passa junto ao casario embeleza o espaço e permite, nos meses mais quentes, um belo banho refrescante.
Com sorte poder-se-á observar o grande número de gado caprino que, por vezes, desce das vertentes e percorre as ruelas da aldeia para pastar nas suas encostas.
O retorno é feito pelo caminho antigo, maioritariamente ascendente, seguindo as marcas do PR14 e acompanhando a Ribeira de Palhais que corre ao fundo. Por ele chega-se ao estradão empedrado que desce até Regoufe, onde começa e termina esta aventura.