
Fortaleza de Valença
A Praça-forte de Valença localiza-se na povoação, Freguesia e Concelho de mesmo nome, Distrito de Viana do Castelo, em Portugal.
A fortificação de Valença remonta à transição do século XII para o XIII.
A actual povoação remonta ao reinado de D. Sancho I (1185-1211), que a entregou a Paio Carramundo, com a obrigação de a povoar e organizar. Este fez erguer um reduto para a defesa do núcleo nascente, sucessivamente reformado e ampliado ao longo dos séculos.
Os vestígios que ainda subsistem do castelo medieval remontam às ampliações de D. Afonso III:
- A Porta do Açougue, a norte, ainda ostenta um escudo medieval na pedra de fecho;
- A Porta da Gambiarra, a leste, que comunicava para a zona ribeirinha e para a barca que fazia a travessia do rio Minho, constituía a entrada principal da fortificação e era ladeada por duas imponentes torres de planta quadrangular.
Considerada como a mais importante fortificação do Alto Minho, foi objecto de diversas intervenções de conservação e restauro ao longo do século XX. As estruturas que chegaram até nós mantêm-se em bom estado de conservação, encontrando-se abertas ao público.

Ponte Rodo-Ferroviária Internacional de Valença
Foi em 1879 que os governos de Portugal e Espanha concordaram com a construção de uma ponte sobre o Rio Minho, ferroviária e rodoviária, fazendo a ligação entre Valença e Tui.
As obras iniciaram em 15 de Novembro de 1881, ficando acordado que as despesas da sua construção seriam suportadas pelos dois países.
A ponte desembocava do lado português no sopé do «Baluarte do Socorro» da respectiva fortaleza e era composta por dois tabuleiros: o superior, para transportes ferroviários e o inferior, para rodoviários e peões. É constituída por 5 tramos de ferro - 3 centrais de 69 metros e dois laterais de 61,5 metros. O comprimento total, incluindo os viadutos sobre as margens, é de 400 metros.
Do projecto foi encarregado o engenheiro espanhol, D. Pelayo Mancebo y Agreda que se inspirou no sistema metálico do francês Gustave Eiffel, construtor da famosa torre em Paris no Campo de Marte que tem o seu nome.
Foi inaugurada a 25 de Março de 1886.
Esta ponte permite a travessia sobre o Rio Minho e dá seguimento ao troço ferroviário internacional com destino à cidade espanhola de Vigo.

Estação de Valença
A Estação Ferroviária de Valença é uma interface da Linha do Minho e do Ramal Internacional de Valença, que serve a localidade de Valença, no Distrito de Viana do Castelo, em Portugal. Entrou ao serviço de forma provisória em 6 de Agosto de 1882, tendo sido inaugurada definitivamente em 8 de Dezembro de 1884. Sem grandes atractivos arquitectónicos vale pelo simbolismo, por aqui se reunirem três ligações ferroviárias, de fronteira, entre Portugal e Espanha.
A estação foi palco de combates durante as Incursões Monárquicas de 1912, tendo sido atacada pelos couceiristas no dia 12 de Julho.
As obras para a sua construção começaram em 15 de Maio de 1882, tendo sido assentes as pedras angulares em 24 de Agosto desse ano. Foi instalada num ângulo formado pelas estradas de Monção e Caminha, a cerca de 500 metros das portas da Praça Forte de Valença.
Esta grande estação ferroviária terminal e de fronteira, forma a junção da Linha do Minho com a de Vigo a Orense. Compõe-se do edifício de passageiros, vias-férreas e algumas construções de apoio técnico, como instalações sanitárias, cocheira de carruagens, armazém, depósitos e ponte giratória. Na altura da sua inauguração, o edifício tinha 66 metros de comprimento por 14 de largura, com dimensões e arquitectura semelhantes às da Viana do Castelo.
Em 1979, foi formado o Núcleo Museológico de Valença, nas antigas cocheiras desta estação. Este acto inseriu-se no âmbito de um programa a nível nacional da operadora Caminhos de Ferro Portugueses, para a preservação do material histórico ferroviário.

Casa da Linha
Neste ponto a Linha do Minho dividia-se, seguindo uma linha para o troço internacional e a outra para o Ramal de Monção.
Inicia-se aqui a Ecopista que percorre o antigo leito da via até à ponte internacional de Monção.

Apeadeiro de Ganfei
Pequeno edifício de apenas um piso que se encontra actualmente degradado.

Mosteiro de Ganfei
O mosteiro beneditino de Ganfei está situado no concelho de Valença, e remonta, provavelmente, ao século VII.
A fundação do mosteiro foi feita no período visigótico. Segundo uma inscrição no claustro do mosteiro, este foi destruído no ano 1000 pelo chefe árabe Almançor, sendo reconstruído em 1018 sob o patrocínio de Ganfried ou Ganfei, um cavaleiro francês que se tornou um santo, derivando daí o nome da povoação e do mosteiro.
No século XVIII construíram-se as novas fachadas e capela-mor, mantendo o restante da traça românica.
Em 1760 foram transferidos os restos mortais de São Ganfei para a igreja.
Manteve-se durante muito tempo sem qualquer obra de conservação ou manutenção, acabando por se deteriorar devido ao desgaste, à infiltração de águas e humidades.
Nos anos de 1950 foi projectada a sua reconversão para a restauração e hotelaria, não se concretizando. Posteriormente foi transformado em vacaria e, mais tarde, reconvertido em exploração de cultivo de árvores de fruto e vinha. Actualmente está de volta a ideia de o transformar em unidade hoteleira.
O templo é constituído por uma Igreja românica de três naves e quatro tramos, sem transepto saliente e cobertura de madeira, assente sobre pilares rectangulares que se ligam às naves laterais por arcos de descarga. A destruição da fachada não preservou qualquer escultura do portal. A cabeceira, inicialmente tripartida, era constituída por uma abóbada semicircular, setecentista e rectangular, e dois absidíolos de planta idêntica.

Apeadeiro de Verdoejo
Este edifício, de dois pisos, encontra-se abandonado e degradado.

Apeadeiro de Friestas
Este edifício, de dois pisos, encontra-se abandonado e degradado.

Ponte Ferroviária do Rio Manco
Ponte metálica restaurada, sobre o Rio Manco.

Torre de Lapela
Esta Torre, que se ergue imponente na vila que lhe dá o nome, situa-se na margem esquerda do rio Minho e poderá ser o que resta de um antigo castelo, existente já no reinado de D. Afonso Henriques, mas que terá sido demolido por volta de 1709.
Do castelo apenas terá restado esta torre, de planta quadrangular, com 35 metros de altura e com quatro pisos. Existe ainda numa das suas paredes de pedra, as armas de Portugal.
Construída numa laje de granito no centro de apertado casario, é o que resta da velha fortaleza medieval demolida, tendo as suas pedras sido utilizadas para reforçar as muralhas de Monção e pavimentar as suas ruas.

Apeadeiro de Lapela
Edifício de dois pisos encontra-se completamente recuperado.

Ponte Ferroviária do Rio Gadanha
Ponte metálica restaurada sobre o Rio Gadanha.

Apeadeiro de Senhora da Cabeça
Edifício pequeno de um piso que se encontra completamente recuperado.

Estação de Monção
Terminava/Iniciava nesta estação a Linha do Minho. Com o encerramento do troço Valença - Monção, em 1990, a Linha do Minho passou a ter a estação terminal em Valença.
A estação de Monção era um edifício imponente de dois pisos e de dimensão apreciável.
Actualmente encontra-se abandonada e com evidentes traços de degradação.

Viaduto Ferroviário das Portas do Sol
Situado sobre as Portas do Sol, na fortaleza de Monção, situa-se após a estação de Monção.
Este viaduto permitia que as locomotivas chegassem à zona onde era possível às mesmas inverter a marcha.

Fortaleza de Monção
Deve-se a D. Dinis a construção do primitivo reduto de Monção, reformulado no reinado de D. João II. O sistema defensivo constava de um castelo com torre de menagem rodeado de uma muralha e barbacã com planta circular. Após 1640, reformulou-se a fortaleza com a adopção do sistema abaluartado. No início do séc. XVIII procedeu-se a alterações na fortificação e, entre 1762 e 1769, a muralha de Monção foi intervencionada, ficando com capacidade para alojar uma guarnição.
Durante as Guerras da Restauração, a fortificação assumiu um papel preponderante no rumo dos acontecimentos históricos.
Actualmente, a Praça-Forte de Monção conserva a sua configuração seiscentista, de polígono irregular, e a fracção norte da muralha medieval, circular. Tem a seguinte composição:
- 11 Baluartes - S. Filipe Nery, S.ª da Vista (desdobrado em 1802 em Baluarte de N.ª S.ª da Boavista e Baluarte de N.ª S.ª do Loreto), Salvaterra ou de S. Luís ou do Estandarte, S.ª da Guia, Terra Nova ou de S. João, Cova do Cão ou de Santo António, Souto ou de S. Pedro, N.ª S.ª da Conceição, S. Bento, S. Francisco e S. José;
- 2 Portas - diametralmente opostas: a de Salvaterra e a do Rosal - das cinco que compreendia;
- Escarpas Exteriores;
- A muralha - apresenta duas portas diametralmente opostas. Tem de altura cerca de 13,2 metros, em mau estado, tal como os restantes muros a que faltam ameias em vários lugares. A altura da muralha da vila é de 8,25 metros e tem de espessura 2,42 metros;
- A Torre de Menagem - tem de altura 3,3 metros e idêntica largura;
- A barbacã - tem de altura 3,3 metros e idêntica largura;
- A torre junto ao rio tem cerca de 10,45 metros de altura. A sua base apresenta forma quadrada com 9,9 metros de perímetro.
No início do século XVIII a antiga muralha foi toda demolida, aquando da construção da actual fortificação. As pedras foram reutilizadas, sendo esse aspecto visível em vários locais devido ao tipo de cantaria aparelhada tipicamente medieval.