
Alvarenga
Alvarenga é uma freguesia portuguesa do concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Com cerca de 40 Km² de área, está situada a 20 Km a Nordeste da sede do concelho, Arouca, na margem direita do Rio Paiva e na encosta Leste da Serra de Montemuro.
Esta localidade assistiu ao primeiro período de grande exploração de volfrâmio que ocorreu no início do século XX. Mineral em grande abundância na Serra de Montemuro, grande parte das habitações da povoação e respectivos muros eram construídos com este minério. No final de 1918 houve uma decadência na actividade mineira e, em 1935/36, as Companhias renunciaram à exploração do volfrâmio em Alvarenga.
Encontravam-se no território de Alvarenga as Minas da Cerdeira, do Pereiro, da Espinheira, do Casal do Moledo, da Travessa e a da Gola.
Banhada pelo Rio Paiva, é uma freguesia de uma beleza natural única, excelente para a prática do desporto aventura, (montanhismo, pedestrianismo, rafting, BTT, TT), entre outras actividades lúdicas e ao ar livre.
A nível da gastronomia, esta localidade é muito conhecida pelo famoso bife de Alvarenga, elaborado a partir da carne de bovino da raça arouquesa.

Canelas
Canelas foi uma freguesia do concelho de Arouca desde o ano de 1843 até 2013, tendo pertencido até esta data ao extinto concelho de Alvarenga (Arouca). Faz fronteira a Norte com a freguesia de Espiunca, a Este com Alvarenga, a Oeste com Santa Eulália e Arouca, com as freguesias de Moldes e Janarde a Sul e é constituída pelas povoações de Gamarão de Baixo, Gamarão de Cima, Mealha, Vilarinho, Estreitinha, Canelas de Baixo e Canelas de Cima.
Em 2013, no âmbito da reforma administrativa nacional, as antigas freguesias de Canelas e Espiunca foram agregadas, constituindo, desde então, uma única freguesia do concelho de Arouca, a União das Freguesias de Canelas e Espiunca, sendo Canelas a sede.
Considera-se que Canelas possui as maiores trilobites do mundo. Os vestígios paleontológicos de trilobites encontrados na exploração das lousas são de fósseis de animais marinhos que viveram no mar há cerca de 490 milhões de anos. Estes achados são, pela sua riqueza científica, o fenómeno mais raro desta região do país.
Existem, ainda, vestígios de uma ocupação Romana ao longo do "complexo xisto-Grauváquio" onde exerceram forte actividade mineira, que se comprova pelas inúmeras minas existentes, e que se destinavam à exploração de ouro, destacando-se as minas da "Gralheira D'água" e as da "Ribeira de Mealha" onde, em ambos os locais, se encontraram pequenas mós manuais de granito destinadas a triturar as rochas. Esta actividade terá sido exercida desde o século I d.C. ao século CXI d.C..
A descoberta do filão das lousas em 1820 por Manuel da Costa, converteu-se na maior riqueza de Canelas. As lousas vieram substituir o colmo na cobertura de quase todas as casas de Canelas e das freguesias mais próximas.
O Centro de Interpretação Geológica de Canelas e os Passadiços do Paiva são, actualmente, os pontos de maior atracção turística desta localidade do concelho de Arouca.

Arouca
Arouca é uma vila da Área Metropolitana do Porto, pertencente ao distrito de Aveiro. Em 2013, o concelho de Arouca foi subdividido em 16 freguesias. Antes da integração no âmbito da reforma administrativa nacional, concluída em 2013, constituía uma freguesia autónoma. Arouca é, actualmente, parte da denominada União das Freguesias de Arouca e Burgo, pertencente ao concelho de Arouca.
O território Arouquense foi povoado desde tempos remotos, como o comprovam múltiplos vestígios pré-históricos encontrados. Da época da presença e domínio dos romanos na Península Ibérica, e pelos vestígios arqueológicos encontrados, deve ter sofrido uma romanização tardia, talvez por se encontrar afastada do litoral e das vias de circulação Norte-Sul.
Pela toponímia é atestada a permanência de populações de origem germânica, resultante das chamadas invasões bárbaras.
De períodos mais recentes e durante as incursões muçulmanas, os núcleos habitacionais de Arouca ficaram quase desertos de população cristã, que se refugiou em locais pouco acessíveis ou noutras paragens mais a Norte, donde só terá regressado quando, mais tarde, com os avanços da Reconquista Cristã para Sul, a instabilidade se afastou.
No entanto, a história de Arouca só ganha destaque a partir da fundação e posterior crescimento do seu Mosteiro, sobretudo após o ingresso, na sua comunidade de religiosas, de D. Mafalda, filha do rei D. Sancho I.
O actual concelho de Arouca é o resultado do antigo Couto, da concessão do foral de D. Manuel em 1513, das posteriores reformas administrativas levadas a efeito pelos Liberais em 1836 e de uma última ampliação durante a 1ª República. Em 1836 foi extinto o concelho de Alvarenga e parte das suas freguesias foram integradas no de Arouca: Alvarenga, Espiunca, Canelas e Janarde. Nova Reforma Administrativa extinguiria o concelho de Fermedo e as freguesias de Escariz, Fermedo, S. Miguel do Mato e Louredo seriam integradas também no concelho de Arouca. A freguesia de Louredo passou posteriormente para o concelho da Feira.
A implantação da República em 1910, a instauração da Ditadura Salazarista a partir de 1926 e a Revolução de Abril em 1974, para além de raras mexidas na Administração Local, precedidas de alguns conflitos de bastidores, na luta pelo poder, não foram acompanhadas de agitação popular.
Durante a Primeira Guerra Mundial iniciou-se em Arouca a corrida ao volfrâmio, minério utilizado no fabrico de armas e munições, com vista ao seu endurecimento e maior resistência. Foram estrangeiros quem fez as principais demarcações, que ainda conservavam aquando da Segunda Guerra Mundial, ou as transmitiram a outros, também estrangeiros. Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, operaram na saga da exploração de volfrâmio em Arouca a Companhia Mineira do Norte de Portugal, em Rio de Frades e a Companhia Portuguesa de Minas, em Regoufe, ambas de capital maioritariamente estrangeiro. Outras pequenas empresas ou empresários individuais exploraram volfrâmio em Alvarenga e em demarcações periféricas das referidas empresas, em Regoufe e Rio de Frades.
A revolta do povo contra o corte das videiras americanas em 1936 e a resistência à polícia que veio confiscar o volfrâmio de Alvarenga em 1944 e de que resultaram vários feridos e um morto em cada situação, constituem actos pontuais de desespero de um povo pacífico, que emigrou por esse mundo sempre que o pão escasseou e se viu desamparado pelas autoridades do regime da época.
A agricultura praticada nos vales e terras férteis dos vales e meia encosta, o pastoreio nas serras e a enorme mancha florestal que cobre parte considerável do concelho, constituem desde tempos imemoriais o sustento das gentes.

Capela de Santo António
Situada junto aos Paços do Concelho, a capela de Santo António é um templo barroco, edificado no século XVIII.
Possui nave única, capela-mor e arco triunfal. As coberturas internas são de madeira e o tecto em caixotão. Actualmente encontra-se em bom estado de conservação.

Pelourinho de Arouca
Arouca passou a concelho em 1513, quando D. Manuel lhe concedeu carta de foral, na sequência da qual se terá levantado o Pelourinho.
O Pelourinho de Arouca levanta-se presentemente num largo do centro histórico, junto à igreja do Mosteiro e à antiga Casa da Câmara, em implantação ligeiramente distinta da original. Resulta de uma reconstrução, uma vez que o monumento foi desmontado em finais do século XIX, sendo então guardado nos claustros conventuais, onde permaneceu durante cerca de um século. Embora em 1942 os Monumentos Nacionais tenham manifestado uma primeira intenção de reerguer o pelourinho, este trabalho foi apenas realizado em 1989, com aproveitamento dos fragmentos que não se haviam perdido.
Sobre soco de três degraus hexagonais, de parapeito, e de factura moderna, levanta-se o conjunto da base, coluna e remate. A base da coluna é circular, e o fuste é cilíndrico e liso, sendo ambos igualmente feitos de novo em 1989. O remate, assente directamente sobre a coluna, aproveita peças originais, constando de um capitel de cesto decorado com dois escudetes ligados por fitas ou cordames, encimado por esfera armilar de bom tamanho e talhe.
A análise de uma pintura representando o pelourinho, realizada em 1962 por Artur Guimarães, que terá recorrido a elementos então ainda existentes e que entretanto se perderam ou mutilaram, demonstra que o monumento original teria três escudetes no capitel, a espaços iguais, e pelo menos duas esferas armilares na base.

Mosteiro de Santa Maria
O Mosteiro de Arouca, erigido no século X, teve como primeiro padroeiro São Pedro. O primitivo edifício não seria mais do que uma pequena moradia, abrigando, no seu interior, um pequeno número de professos de ambos os sexos.
Já no século XII, com o domínio da congregação religiosa por parte de D. Toda Viegas e família, a sua riqueza e engrandecimento tornaram-se notáveis.
D. Afonso Henriques, ainda antes da independência nacional, concedeu a esta fidalga e às monjas de Arouca vários privilégios e doações. Entre eles constam as cartas de couto de 1132 e de 1143.
Nos primeiros anos do século XIII, o Mosteiro de Arouca passou para a posse da Coroa e D. Sancho I deixou-o em testamento a sua filha D. Mafalda. O seu ingresso na comunidade religiosa de Arouca deu-se entre 1217 e 1220. D. Mafalda levou o Mosteiro a uma época de esplendor que o marcou para sempre, não só pela honra de nele se ter recolhido, como pelos benefícios materiais que consigo trouxe e lhe atribuiu.
O Mosteiro, já apenas feminino, era o principal pólo de dinamização económica do vale de Arouca. Após a morte de D. Mafalda, em 1256, o prestígio do mosteiro continuou, evocando a sua passada protecção, a sua memória, a sua fama de santa e o seu culto. Foi beatificada em 1792. O seu corpo repousa numa urna, executada em ébano, cristal, prata e bronze, numa das alas da Igreja do Mosteiro, para onde foi trasladada em 1793.
Com a extinção das ordens religiosas no país em 1834, o mosteiro e todo o seu património passaram para o Estado Português. Às freiras que viviam no convento manteve-se o direito de residência até ao falecimento da última, que ocorreu em 1886. A partir de então, os seus bens transitaram para a Fazenda Pública, abrindo-se um período de utilizações diversas deste amplo conjunto edificado. Manteve-se, contudo, o espólio artístico, recolhido no Museu de Arte Sacra, entretanto aí instalado.
Da construção original apenas chegaram até nós algumas pedras aproveitadas numa parede do edifício dos séculos XVII e XVIII. Pela volumetria, o mosteiro de Arouca enche a vila e encerra no seu interior, além do Museu de Arte Sacra, a Igreja Matriz, com o magnífico altar-mor em talha dourada, o cadeiral, ao fundo, e o órgão de 1352 vozes, todos do século XVIII.
Actualmente, o IPPAR tem vindo a proceder a pequenas obras de recuperação e restauro que visam modernizar o Museu de Arte Sacra, implementar um modelo de gestão que garanta a qualidade e a continuidade dos serviços a prestar, e dar novo impulso ao Centro de Estudos, constituído em torno do espólio documental de D. Domingos de Pinho Brandão.

Igreja Matriz de Arouca
A Igreja Matriz de Arouca integra-se no conjunto arquitectónico do Mosteiro de Santa Maria de Arouca.
A Igreja Matriz de Arouca, imponente e sóbria, abre-se à luz exterior que inunda o espaço e dá às pinturas, às esculturas e à abundante talha dourada, cor e forma. Local de recolhimento e oração é, também, espaço de contemplação.
A Igreja do convento que passou a matriz, o magnífico altar-mor em talha dourada, que fala de uma época em que o ouro proveniente do Brasil marcou presença na maioria dos templos religiosos do país e também de Arouca.
A Igreja é ainda ladeada por diversas esculturas de Santos e, do lado direito, encontra-se o altar em ébano, prata e cristal, que serve de túmulo à beata Mafalda, que o povo de Arouca elegeu como a sua Rainha e Santa e cuja festa é promovida anualmente em 2 de Maio, pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. Este dia é, também, e desde 1946, o Feriado Municipal.
Ao fundo da igreja encontra-se o coro das freiras, constituído por um sumptuoso cadeiral entalhado por volta do ano de 1725, a que se sobrepõem, nas paredes, vários óleos com cenas da vida e dos "milagres" da Santa Rainha e ainda diversas esculturas. O órgão com 1352 vozes montado no coro das freiras em 1743 foi recuperado recentemente e encontra-se em bom estado para desempenhar a função para que foi criado. Na ala Sul do cadeiral, do fundo da Igreja, existem três altares estilo barroco, em talha dourada, que representam outros tantos ex-votos de emigrantes portugueses no Brasil.

Capela da Misericórdia
A Capela da Misericórdia foi mandada construir por devotos e data de 1612. Ligada à antiga casa da câmara, situa-se no Centro Histórico da Vila de Arouca.
É um templo de pequenas dimensões onde a sacristia e a casa do despacho albergam uma interessante e rica colecção de pinturas, esculturas, alfaias litúrgicas e paramentaria, que vão do século XVII ao século XIX, fruto de várias influências artísticas, do maneirismo, ao barroco e ao neoclássico.
O tecto da nave principal ostenta curiosas pinturas de alguns dos santos mais relevantes da Igreja Católica, com destaque para os apóstolos, os evangelistas, os doutores da igreja e outros santos da devoção, remetendo a iconografia para as cenas da Paixão de Cristo. Formando uma composição azulejar, designada por azulejo de tapete, presencia-se a inclusão de pequenos painéis hagiográficos com a figuração dos Apóstolos, datáveis de cerca de 1620, em tons de branco, azul e amarelo-torrado.
A capela da Misericórdia está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1959.

Capela da Senhora da Mó
Erigida no cume de um monte a cerca de 711 metros de altitude e a uma distância de 8 quilómetros da vila de Arouca, encontra-se uma pequena e singela capela dedicada a Nossa Senhora da Mó, de contornos pouco convencionais no contexto da região, cuja primeira construção data, presumivelmente, do século XVI.
A Nossa Senhora da Mó é considerada a advogada dos campos, das colheitas e dos animais e protectora contra as secas e as trovoadas.
Do seu cume desfruta-se de uma deslumbrante vista panorâmica sobre o vale de Arouca, da Serra de Montemuro, o cume de São Macário com o seu parque eólico e a Serra da Arada.

Igreja Paroquial de Canelas
Situada no lugar de Canelas de Baixo, a Igreja Paroquial de Canelas tem, por orago, São Miguel. Foi edificada junto à estrada principal que atravessa a povoação, à entrada Sul da mesma.
Esta igreja possui planta rectangular com eixo longitudinal interno, composta por nave, capela-mor, com sacristia adossada ao lado esquerdo e torre sineira ao lado direito, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas (nave e capela-mor) e três águas (sacristia).
No adro da igreja foi implantado um coreto.

Centro de Interpretação Geológica de Canelas
Inaugurado a 1 de Julho de 2006, o Centro de Investigação e Interpretação Geológica de Canelas, Arouca, é um Museu de Sítio, conhecido internacionalmente pela recolha, inventariação e exposição das maiores trilobites de mundo.
Este Centro é um exemplo ímpar de cooperação entre a indústria extractiva, a ciência e a educação, tendo prestado um Serviço Educativo e um Turismo Científico de elevada qualidade.
Os exemplares fósseis expostos neste espaço são, pela sua raridade e espectacularidade, únicos no mundo.
A colecção é formada, quase na sua totalidade, por fósseis resgatados durante a exploração de ardósias do Ordovícico Médio da pedreira gerida pela empresa “Ardósias Valério & Figueiredo, Lda.”. Esta empresa, em exploração desde 1988, trouxe à luz do dia achados paleontológicos em excelente estado de conservação, como trilobites, moluscos, braquiópodes, equinodermes, hiolitídios, conulárias, ostracodes e graptólitos.
O Centro de Interpretação Geológica de Canelas e as trilobites permitiram a realização de várias publicações, artigos científicos, teses de Mestrado e Doutoramento acabando por ser reconhecido sob os auspícios da UNESCO como Património Mundial.

Rio Paivô
Rio Paivô é um rio português afluente do Rio Paiva.
Esta linha de água nasce na Serra da Arada, ainda no lado de município de São Pedro do Sul, e atravessa a freguesia de Covelo de Paivô, desaguando no Rio Paiva.
Tem um comprimento total de 25,6 km.
No verão, as margens do Rio Paivô são muito procuradas pelos banhistas, pois as águas transparentes e frescas são óptimas para uns bons mergulhos. Ao longo das suas margens ainda se podem encontrar alguns antigos e tradicionais moinhos.

Rio Paiva
Rio Paiva é um rio cuja nascente se situa na encosta Sul da Serra de Leomil, próximo de Carapito, Moimenta da Beira, e desagua no lugar do Castelo, em Castelo de Paiva, local assinalado pela famosa “Ilha dos Amores”.
Os seus 108 km de extensão percorrem dez concelhos: Moimenta da Beira, Sernancelhe, Sátão, Vila Nova de Paiva, Viseu, Castro Daire, São Pedro do Sul, Arouca, Cinfães e Castelo de Paiva, entre as serras de Leomil, São Macário, Freita e Montemuro.
Este curso de água, o menos poluído da Europa, percorre persistentemente o fundo de desfiladeiros de vertentes abruptas. Nas suas margens formam-se, por vezes, praias fluviais (Paradinha, Areinho, Janarde, Meitriz, Vau e Espiunca).
O seu longo vale está dividido entre a região do Alto Paiva (de Moimenta da Beira a Vila Nova de Paiva) caracterizada por planalto formado por bosques de carvalhos e castanheiros, e o Baixo Paiva (a partir de Castro Daire até à foz) onde ganha força e se precipita com os seus famosos rápidos por uma zona montanhosa e de grandes desfiladeiros que o tornam quase inacessível em grande parte do percurso.
O Rio Paiva é um dos rios de excelência para a prática de várias actividades relacionadas com o desporto aventura em Portugal e o melhor rio do país para o rafting.
Está classificado como "Sítio de Importância Comunitária na Rede Natura 2000".