
Igreja de Nossa Senhora da Guia
Situada junto ao Rio Lima, esta igreja foi edificada a mando da confraria consagrada ao culto de Nossa Senhora da Guia, em 1630, num local onde se encontrava o antigo Hospital do Gafos e uma ermida em ruínas dedicada a São Vicente Mártir. É considerada Imóvel de Interesse Público.
É uma igreja seiscentista de nave única, precedida por galilé posterior de linhas sóbrias, mas com elementos decorativos que rematam o frontispício, volutões e fogaréus, e interior barroco.
A galilé e a casa contígua destinada ao capelão datam de 1746, conjuntamente com outros melhoramentos, como a aquisição do órgão.

Museu dos Terceiros
O Museu dos Terceiros foi criado em 1974 com o objectivo de guardar e expor um significativo espólio de arte sacra, ocupando o espaço correspondente ao conjunto edificado constituído pelo Convento dos Frades Menores da Província da Conceição (do qual pouco mais resta que a Igreja Conventual), pela Igreja da Ordem Terceira, sacristia, sala consistorial e seus anexos em redor de um claustrim, sustentado por uma arcada toscana.
O Convento de Santo António foi instituído em 1481 pelos primeiros Viscondes de Vila Nova de Cerveira. Durante o século XVI foram acrescentadas três capelas tumulares no lado do Evangelho, que sofreram benfeitorias posteriores. A igreja foi alterada em 1744, com linhas sóbrias, nave única precedida por galilé e coro-alto com cadeiral. No século XIX foi demolido o convento, restando apenas a portaria.
Entre 1745 e 1747 foi construída à ilharga a Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, de planta longitudinal, nave única e decoração essencialmente barroca, ostentando a capela-mor um magnífico altar Rocaille de talha dourada e policromada, e um cadeiral atribuído ao italiano Luigi Chiari.

Torre da Cadeia Velha
A Torre da Cadeia Velha foi, tal como o nome indica, um espaço de encarceramento até aos anos sessenta do século passado. Posteriormente foi usada para acolhimento do Arquivo Histórico e Municipal.
Com a recente recuperação, é dedicada a galeria de exposições, lançamento de livros, pequenos colóquios ou conferências. Neste espaço também se encontra a funcionar a Loja de Turismo de Ponte de Lima.
Trata-se de um espaço privilegiado situado no Passeio 25 de Abril, em pleno Centro Histórico da Vila.

Igreja da Misericórdia
Desde a Idade Média que a vila de Ponte de Lima albergava no espaço intramuros organismos de assistência, albergarias e hospitais que socorriam sobretudo os peregrinos dos caminhos compostelanos.
Em Ponte de Lima, a Irmandade da Misericórdia foi fundada em 1530. Em 1551 eram anexados aos bens da confraria o Hospital dos Gafos e o Hospital da Praça, o único intramuros. Desde logo, este último espaço passou a servir como sede da Misericórdia. Situado junto às muralhas, o hospital possuía, na época, uma única enfermaria e uma pequena capela, que funcionava no primeiro andar daquele.
No início do século XVII a capela da irmandade ainda mantinha a estrutura quinhentista de planta rectangular, mas cerca de 1629 o provedor Diogo Ferraz propôs à Misericórdia fazer uma nova capela-mor. Desta grande obra resultou um templo de planta transversal de modelo maneirista, que segue o esquema das igrejas de Misericórdia seiscentistas da região. O conjunto, composto pelos volumes da nave e da capela-mor, apresenta a fachada precedida por um pátio onde foram edificados perpendicularmente à nave, o antigo hospital e actual Consistório, um grande edifício com estrutura porticada no primeiro piso e loggia toscana no segundo, situado do lado esquerdo e construído entre 1648 e 1651, e a sacristia, no espaço fronteiro. O portal principal, edificado possivelmente na primeira metade do século XVII, exibe uma moldura rectangular ladeada por duas colunas toscanas assentes sobre plintos. Sobre a arquitrave foi executado um relevo com a representação da Mater Omnium, enquadrado também por duas colunas toscanas. O portal é flanqueado por duas figuras assentes em mísulas, à esquerda São Roque, à direita Santo Aleixo.
O espaço interior, de nave única, é coberto por abóbada de madeira dividida em vários tramos com falsas ogivas de gosto manuelino revivalista, pintadas com motivos de brutesco polícromos. No programa decorativo do espaço interior destacam-se ainda o retábulo-mor de talha dourada, "uma das mais perfeitas obras do género", executado cerca de 1742 por Miguel Coelho, considerado um dos melhores mestres entalhadores da época, e uma representação da Virgem da Misericórdia em madeira, colocada sob o coro, possivelmente talhada para um antigo retábulo do século XVI.
Está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Igreja Matriz de Ponte de Lima
A Igreja Matriz de Ponte de Lima foi mandada edificar por D. João I, em 1425. Ao longo dos séculos foi alvo de várias ampliações e remodelações, agregando vários estilos, desde o românico, ao gótico e neoclássico.
Uma interpretação veiculada nos anos 70 do século XX dá conta da possibilidade de ter existido uma reformulação do projecto, sensivelmente um século depois de concluído. Segundo essa perspectiva, a campanha quatrocentista edificara uma igreja de nave única, a que corresponde o portal, e só a partir de meados do século XVI se deu corpo à estrutura tripartida que ainda hoje existe.
A renovada Matriz de Ponte de Lima ocupa um lugar relativamente marginal na evolução do estilo Gótico em Portugal. O portal é de quatro arquivoltas reentrantes, uma delas decorada com semi-esferas (um motivo que pode bem corresponder ao século XV). Os capitéis, por seu turno, são maioritariamente vegetalistas, de folhagem muito presa ao campo escultórico e elementos tratados sumariamente. A rosácea radiante é um produto do restauro.
A capela de Nossa Senhora da Conceição, de 1540, no extremo Sudoeste do conjunto, espaço de planta quadrangular, coberto por abóbada polinervada, de volumosos bocetes, que alberga os túmulos da instituidora, D. Inês Pinto, e de seu marido, ambos em campa rasa.
A grande transformação do interior teve lugar a partir de 1567. Os trabalhos iniciaram-se com a integral substituição da capela-mor, que ficou de planta rectangular, com cobertura de abóbada de berço em caixotões. No transepto, as duas capelas extremas foram também construídas. A actual estrutura é plenamente maneirista, com arcos formeiros moldurados e de volta perfeita, não restando quaisquer vestígios da presumível organização tardo-gótica anterior. As obras continuaram nessa segunda metade do século XVI, com o pórtico erudito que enquadra o arco triunfal, a estrutura que ladeia o arco do absidíolo Sul (datado de 1589) e a reformulação das naves (até 1590).
O século XVIII trouxe grande parte das obras de talha que ornamentam o interior. A principal localiza-se na extremidade Sul do transepto e é um amplo retábulo de estilo nacional, datado de 1729, dedicado a Nossa Senhora das Dores. O coroamento da torre sineira foi intervencionado na segunda metade do século XIX e, mais recentemente, em 1932, realizou-se a rosácea neo-gótica, a partir do modelo da igreja de São Francisco do Porto.

Torre de São Paulo ou da Expectação
Vila mais antiga de Portugal, estatuto orgulhosamente reclamado pelos limianos em referência ao foral de D. Teresa, datado de 1125, e capital do Alto Minho até ao século XV, Ponte de Lima só foi dotada de um sistema defensivo em época muito tardia. Com efeito, é do século XIV que datam os dados seguros acerca da edificação da cerca, resumindo-se as hipóteses de ter existido uma muralha anterior a uma mera sugestão de trabalho, que continuamente esbarra com a inexistência de indicadores arqueológicos e documentais.
A intensificação das trocas comerciais e a maior mobilidade humana, determinou a progressiva aplicação de taxas aduaneiras e de impostos sobre os bens e o trânsito. Em meados do século XIV, quando se iniciaram as obras da cerca de Ponte de Lima, esta era já uma realidade em todo o reino e numerosas eram as vilas e cidades que se amuralhavam, não só tendo em vista as vantagens militares daí resultantes, mas, também, as vantagens.
Um estudo efectuado a uma inscrição do reinado de D. Pedro, que comemora precisamente o início das obras, não deixa margem para dúvidas. Esta inscrição (colocada originalmente na Torre Velha) menciona que, a 8 de Março de 1359, se iniciaram os trabalhos de britar pedra para o muro e que este começou a ser levantado a 3 ou 6 de Julho desse ano. Onze anos decorreram até que o sistema estivesse completo pois, a 19 de Maio de 1370, num documento de D. Fernando, já não se referem quaisquer obras.
A cerca, relativamente grande, desenvolvia-se ao longo de mais de um quilómetro de extensão. Nove torres protegiam um perímetro ovalóide irregular, que incluía a ponte gótica onde se implantavam duas torre, ambas nas extremidades da estrutura: a Torre Velha, do lado Norte, e a da Ponte, ligada ao sistema defensivo da vila.
No século XV, edificou-se uma décima torre, a do Castelo, assim denominada por se situar junto à cidadela, estrutura tutelar da vila, localizada na vertente Sul do complexo militar, mas da qual, infelizmente, nada chegou até hoje. No reinado de D. Manuel, para além do ameamento da ponte, edificou-se a Torre da Cadeia (principal elemento do complexo defensivo da vila que ainda resta). A ela associou-se a Porta Nova, facto que gerou uma alteração urbanística da localidade, criando uma nova centralidade ribeirinha no local da antiga judiaria.
Nos séculos seguintes, foram muitos os momentos de destruição da cerca. Em 1787, a Câmara autorizou a demolição de parte da muralha medieval para aplicar a pedra a edificações públicas e privadas. Menos de um século depois, em 1857, demolia-se a última torre, datando, dessa altura, a única fotografia da torre velha. Restou a da Cadeia, que desempenhou esta função quase até aos nossos dias e que se instituiu como uma marca cenográfica da vila, e a de São Paulo, que defendia inicialmente a Rua do Postigo.
A Torre de São Paulo é um dos os únicos vestígios das antigas muralhas medievais. A salientar a existência, na face virada ao rio, de um painel de azulejos alusivo à Reconquista, com as datas de 1140 - 1940.

Ponte Romana/Medieval
Situada em Ponte de Lima, é uma obra de arte que conjuga o estilo romano e com o estilo medieval. A ponte adquiriu sempre uma importância de grande significado em todo o Alto Minho, atendendo a ser a única passagem segura do Rio Lima, em toda a sua extensão, até aos finais da Idade Média. É considerada Monumento Nacional e o ex-libris da vila.
A primitiva foi construída pelos romanos, da qual ainda resta um troço significativo na margem direita do Lima, sendo a medieval um marco notável da arquitectura, havendo muito poucos exemplos que se lhe comparem na altivez, beleza e equilíbrio do seu todo.
A ponte medieval foi construída no século I e remodelada por D. Pedro I, em 1370, durante as obras de fortificação da vila. O empedramento e a colocação dos merlões datam, contudo, de 1504, durante o reinado de D. Manuel.
É constituída por 2 troços distintos, um romano e outro medieval. O troço medieval, com tabuleiro rampante muito suave, assenta sobre 15 arcos quebrados à vista (um deles ainda com soleira), com talha-mares de forma prismática a montante encimados por olhais também de arco quebrado. Parapeito com alvéolos marcados e, sensívelmente a meio, na guarda a montante, cruzeiro de coluna facetada, cruz latina de braços em flor-de-lis e escudo no capitel. Pavimento lajeado e com ralos de escoamento para as gárgulas, de canhão, que se dispõem irregularmente. A Norte subsiste base de uma das torres que a fortificava, de planta quadrangular, e com base avançando para jusante.
Tem erguida uma "alminha", de planta rectangular, de frontespício revestido a azulejos, ladeado por aletas e encimado por frontão curvo com cobertura de telha coroada por pináculos e cruz. Para além da alminha, existe uma pedra de granito com o Brasão de Portugal esculpido.
À torre liga-se o troço romano, muito simples, de tabuleiro rampante assente sobre 7 arcos a pleno centro e quebrado, dispostos irregularmente e de diferente vão. Um deles está encoberto a montante pelo maciço onde assenta a igreja de Santo António e um outro, a jusante, está entaipado. Parapeito é marcado por alvéolos.
É um ponto de referência obrigatório em roteiros, guias e mapas, muitos deles antigos, que descrevem a passagem de milhares de peregrinos por esta ponte que demandavam a Santiago de Compostela e que ainda nos dias de hoje a transpõem com a mesma finalidade.

Capela do Anjo da Guarda
A Capela do Anjo da Guarda, também referida como Padrão de São Miguel, localiza-se na margem direita do Rio Lima, junto à ponte romana/medieval sobre o mesmo, em Ponte de Lima.
Esta ermida remonta, possivelmente, a um primitivo templo em estilo tardo-românico, erguido ao final do século XIII, como lugar de devoção junto de tão importante ponto de travessia do rio. Após ter sido parcialmente destruída pelas águas durante uma das cheias do rio foi reconstruída no século XVIII, quando recebeu reforço nos pilares e a imagem de São Miguel.
Teve culto até 1834 a expensas do Senado da Câmara Municipal.
Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1978.

Igreja de Santo António da Torre Velha
A Igreja de Santo António da Torre Velha localiza-se na freguesia e Vila de Arcozelo, no concelho de Ponte de Lima.
Este templo remonta a uma antiga ermida, documentada desde o século XVIII, sob a invocação de Nossa Senhora da Esperança e, posteriormente, sob invocação de Nossa Senhora do Carmo.
A sua actual feição resulta de uma reformulação promovida no início do século XIX, quando foi aumentada a sua volumetria. A igreja e a torre da primitiva cerca medieval da povoação coabitaram até meados do século XIX, altura em que esta última foi demolida, surgindo assim a designação de 'Igreja de Santo António da Torre Velha'.
Apresenta planta longitudinal, com um frontão curvo interrompido e pináculos de remate das pilastras laterais, sendo a restante fachada revestida a azulejos. A torre sineira, erguida após as obras do século XIX destaca-se pela sua altura e pela presença de gárgulas em cada ângulo. No interior apresenta nave, capela-mor e sacristia.

Albergue de Peregrinos 'Caso do Arnado'
Aberto desde Julho de 2009, esta estrutura, a funcionar todos os dias do ano, acolhe os peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela e a Fátima, aos quais se juntam as muitas centenas que procuram o Albergue apenas para carimbar a Credencial do Peregrino.
Dispõe de recepção, cozinha, sala de refeições, lavandaria, sala de estar/convívio, instalações sanitárias com água quente, dormitórios e acesso gratuito à internet, acessíveis a qualquer pessoa que reúna as condições de peregrino. Os preços são simbólicos e o horário de funcionamento/atendimento aos peregrinos é das 17h00 às 22h00.
O edifício denominado 'Casa do Arnado' foi distinguido com uma Menção Honrosa pelo Instituto de Habitação e de Reabilitação Urbana, no âmbito do prémio IHRU 2009 de Construção e Reabilitação, na categoria de Reabilitação Isolada de Imóveis.
O imóvel, do século XIX, situa-se junto à ponte romana/medieval, no troço do principal itinerário do Caminho Português a Santiago de Compostela.