
Barcelos
O concelho de Barcelos, do distrito de Braga, localiza-se na Região do Norte e Cávado. Encontra-se dividido pelo rio Cávado e ligado através de uma ponte medieval. Situado num relevo irregular e indiferente às questões teóricas, o concelho de Barcelos cresceu, tornando-se no que é hoje o maior município de Portugal. Com 89 freguesias impõem-se pela sua agricultura, indústria, cultura e património.
A fundação de Barcelos é atribuída a Amílcar, pai de Aníbal, 230 anos antes da era cristã, mas o que se sabe com certeza é que D. Afonso Henriques lhe deu foral, que depois foi reformado por D. Manuel. A vila foi oferecida pelo rei D. Dinis ao primeiro Conde de Barcelos em 1298.
Já no século XV, a então vila gozava de grande prestígio: o apoio que dava aos viandantes, a experiência da Colegiada instituída pelo arcebispo de Braga, a comunidade judaica, o urbanismo civil e religioso foram importantes contributos para a boa fama.
Do vasto património arquitectónico do concelho destacam-se a ponte medieval de Barcelos, gótica, de meados da primeira metade do século XIV, o Templo do Senhor do Bom Jesus da Cruz, com o Passeio das Obras e monumentos barrocos, a Colegiada, actualmente designada Matriz de Santa Maria Maior/Igreja Matriz de Barcelos, o edifício da Câmara Municipal, a Torre da Porta Nova, do século XV, o fontanário do largo da Porta Nova, o fontanário do Campo da Feira, o jardim do Passeio dos Assentos, o Solar dos Pinheiros, a casa do Condestável, a Igreja do Terço, exemplar do barroco, o Cruzeiro do Galo e as ruínas do Palácio dos Duques de Bragança.
Da tradição do concelho fazem parte a criação iconográfica do galo de Barcelos e a sua lenda. Esta narra que dois galegos peregrinos, pai e filho, foram atraiçoados por uma estalajadeira, que acusou injustamente o filho de roubo. O rapaz foi condenado à forca e o pai, desesperado, foi ter com o juiz e pediu-lhe que acreditasse na inocência do seu filho. O juiz, incomodado por ter sido interrompido quando estava a comer, disse que para o declarar inocente seria preciso que o galo assado que tinha na mesa cantasse três vezes. E assim foi, o galo pôs-se de pé e cantou. O juiz correu a evitar o enforcamento, mas chegou tarde. Para seu espanto, o condenado não tinha morrido porque estava a ser amparado por Santiago, que, assim, evitava a sua morte.
Barcelos apresenta um crescimento económico considerável, com uma notória expansão do sector terciário, nomeadamente do comércio e dos serviços, que se concentram no interior da cidade.
No entanto, a agricultura e a indústria têxtil, juntamente com as indústrias de vestuário, malhas e confecções, calçado, mobiliário e cerâmica artística, dominam o panorama económico do concelho. O sector secundário emprega uma percentagem significativa da população activa. A construção civil, a pecuária, com destaque para o gado bovino, ovino e suíno, e a exploração florestal contribuem para o desenvolvimento do concelho.

Igreja de São João de Deus
O edifício da antiga igreja pertence, actualmente, à Casa de Saúde de São João de Deus. Existem alguns escritos e fotografias que atestam a utilização da referida capela e a estadia nesta quinta, por mais que uma vez, do então bispo do Porto, António José de Sousa Barroso.
Hoje em dia enexistente, no entanto aproveitou-se parte da mesma para a igreja sobre o nome de Nossa Senhora da Conceição, onde existe serviço de culto. Esta igreja pertence à Casa de Saúde de São João de Deus.

Igreja Paroquial de São Miguel de Vila Boa
A igreja paroquial de São Miguel de Vila Boa foi construída no século XVII e sofreu remodelações no final do século XX.
É um edifício baixo, todo em pedra e despido de qualquer reboco. Na silharia, principalmente na capela-mor, vêem-se algumas siglas e sinais maçónicos dos antigos pedreiros construtores de monumentos. Na fachada, encimada por uma cruz e ladeada por duas pirâmides, abre-se uma pequena rosácea por baixo da qual se estende um largo alpendre, parapeiteado de pedra e sustentado por seis colunas. Debaixo desse alpendre, junto à porta principal, existe uma sepultura rasa com tampa de pedra. Do lado direito da fachada, a facear com esta, eleva-se um pequeno torreão para o sino e atrás, junto a capela-mor, uma pequena sacristia. O interior da capela é forrada a madeira pintada e o altar é em talha estilo renascença. A tribuna é fechada por um lindo painel representando o baptismo de Cristo. O corpo da igreja é igualmente forrado a madeira pintada, tendo dois altares: o do lado do evangelho é moderno e o da epístola é antigo, no mesmo estilo do altar-mor. Tem ainda dois inestéticos oratórios nas paredes, um de cada lado. Tem coro, púlpito e baptistério com pia de granito, antiga.
Em 1998, o tecto e a talha da igreja foram restaurados. O painel do Baptismo de Cristo, que se encontrava na tribuna, foi retirado e colocado em "quadro", estando hoje na parede direita da igreja. No ano seguinte procedeu-se ao arranjo urbanístico do adro, tirando-se o trânsito do mesmo.

Cruzeiro do Espírito Santo
O Cruzeiro do Espírito Santo é um monumento situado na rua do Espírito Santo, um dos lugares mais antigos da freguesia de Vila Boa.
No largo em que se encontra o cruzeiro existe um fontanário público, de talha simples. A nascente da sua água situa-se no Campo das Rigueiras ou Leiras de Cima. Este fontanário foi mandado construir por Francisco de Gouveia, em 1568.

Capela de São Sebastião
A Capela de São Sebastião, referida já no século XVIII como muito antiga, está situada freguesia de Vila Boa.
De planta simples, encontra-se em bom estado de conservação.

Capela da Santa Cruz
A Capela da Santa Cruz situa-se no lugar do Ribeiro, freguesia de Lijó, Barcelos. Foi construída no século XIX, tendo sido fundada para prestigiar e louvar um milagre que aí aconteceu em 1843.
Segundo consta, num Domingo, 11 de Junho de 1843, fez-se nesta freguesia um cerco ou procissão de São Sebastião. Quando passava a procissão junto à capela do santo, os participantes na mesma viram desenhada no chão uma cruz.
No domingo seguinte, alguns paroquianos cercaram o lugar onde apareceu esta cruz com uma vedação por causa dos animais e, passados 15 dias, constituiu-se uma comissão, a qual mandou construir uma capela de tabuado. Na capela colocaram um quadro com Cristo crucificado sob a invocação de Senhor da Piedade.
Presentemente ainda se comemora o "milagre" então ocorrido.

Igreja Paroquial de Tamel São Pedro Fins
A Igreja Paroquial da freguesia de Tamel S. Pedro Fins, no Concelho de Barcelos, está situada no centro de um adro vedado por um muro, com duas entradas.
Edifício de estilo renascentista e de fachada angular, no centro da qual se abre uma pequena rosácea. Esta é encimada por cruz pontifícia.
É um templo amplo, espaçoso e bem iluminado pelas rasgadas janelas laterais. Uma possante e bem proporcionada torre sineira ergue-se no lado esquerdo do edifício e, na sua traseira, a sacristia.
No interior, a igreja possui quatro altares laterais em talha, o púlpito com guardas de madeira (ao centro das quais se acham gravadas as armas pontifícias), o coro e baptistério com pia de granito antiga. A capela-mor é forrada a madeira e tem um retábulo barroco em talha dourada. O corpo da igreja é forrado a madeira, com pinturas antigas, tendo ao centro o ícone de São Pedro.
Existe nesta igreja uma cruz processional florenciada antiga, de cobre, e no pavimento a ladear a igreja paroquial encontram-se duas sepulturas.

Albergue de Peregrinos da Portela
Este albergue de peregrinos foi inaugurado em 2010, no lugar da Portela, freguesia de Tamel São Pedro Fins.
O edifício, situado nas proximidades da Capela da Nossa Senhora da Portela e das instalações da Junta de Freguesia, resulta da recuperação da Casa da Recolecta que, no século XVII, acolheu padres franciscanos e funcionou como escola de latim.
Os dois andares, que têm capacidade para acolher 35 peregrinos distribuídos por quatro quartos, incluem uma zona de recepção, sala de convívio e de jantar, cozinha e instalações sanitárias com duches individuais e adaptadas a pessoas com mobilidade condicionada.
O edifício reforça o apoio a peregrinos no Caminho Português, juntando-se aos albergues de São Pedro de Rates (Póvoa de Varzim), Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valença, todos à mesma distância entre si.

Capela de Nossa Senhora da Portela
A Capela de Nossa Senhora da Portela localiza-se no lugar da Portela, na freguesia de Tamel São Pedro Fins, concelho de Barcelos.
Consta de um pequeno templo em que a fachada termina em forma angular. No topo fio erigida uma cruz flanqueada de pirâmides. À frente da porta principal existe um alpendre sustentado por duas colunas. Na verga da porta existe a inscrição «1691», possivelmente a data em que foi erigida a capela.
Junto à porta encontra-se uma pedra com a seguinte inscrição "POR AMOR DE DEVS HVMA AVE MARIA PELO PR.° IRMITÃO DESTA IRMIDA". No lado direito do edifício, eleva-se a torre sineira. A sacristia situa-se do lado direito do corpo da capela.
No interior, a capela-mor é forrado a madeira, com um altar simples, em talha singela.

Igreja Nova de Aborim
A Igreja Nova de Aborim foi construída num terreno elevado junto à estação de Caminho-de-ferro de Tamel. A freguesia de Aborim também é conhecida por Tamel, por causa da proximidade da estação com o mesmo nome.
Consagrada a Nossa Senhora de Fátima, a sua primeira pedra foi lançada em 1978. Com um design moderno e funcional de acordo com as necessidades actuais, hoje é o principal centro religioso da localidade.

Ponte das Tábuas
A Ponte das Tábuas, romana, situa-se na freguesia de Balugães, em Barcelos. A presença romana faz-se sentir na ponte que atravessa o Rio Neiva, cujo estilo é marcadamente da arquitectura dos homens do Lácio.
Esta ponte, em cavalete, faz a travessia do Rio Neiva. Aparecia já documentada em 1135. Pelo nome, a construção original seria em madeira. A actual construção datará dos meados do século XVI.

Igreja Românica de São Martinho
A igreja de São Martinho de Balugães, de estilo românico, foi consagrada em 1168.
Da estrutura original ainda apresenta, na fachada, alguns aspectos da sua traça românica original, ainda que o templo tenha sido muito alterado pela ampliação sofrida durante o século XV.
De pequenas dimensões, este templo possui uma só nave, sacristia e capela-mor. Não possui qualquer torre.
Em 2011, ano desta foto, a igreja, adro e todos os edifícios anexos encontravam-se em completo estado de abandono e ruína, mas vedados e, aparentemente, em obras. Após as referidas beneficiações do edifício e anexos, a porta principal ficou protegida por um alpendre.
A Igreja Românica de São Martinho de Balugães representa um importante marco no património construído, sobretudo na importância estabelecida em tempos, pela sua localização estratégica e enquanto abrigo para peregrinos da primitiva Rota do Caminho Português para Santiago de Compostela.

Capela de Nossa Senhora de Fátima
Consagrada a Nossa Senhora de Fátima, esta capela situa-se no Lugar do Corgo, freguesia de Vitorino dos Piães, Ponte de Lima.
De construção relativamente recente, é um templo de planta de uma só nave, sacristia e anexos adossados. Encontra-se delimitada por um pequeno muro gradeado.

Igreja Paroquial de Vitorino de Piães
Consagrada a Santo André, a Igreja Paroquial está localizada na freguesia de Vitorino dos Piães, Ponte de Lima.
Templo de grande porte, a sua construção e de todos os edifícios que a envolvem datam do ano de 2003.
É composta pela nave, torre sineira e sacristia nas traseiras do edifício. Encontra-se em excelente estado de conservação. Em frente à igreja foram construídos, na mesma data, a Capela de Repouso e um fontanário público.
Lateralmente, foi construído o Centro Paroquial da freguesia e ao lado deste, protegidos por um gradeamento, encontram-se sete sarcófagos em granito, um deles antropomórfico, e três com tampa em estola.

Capela de São Sebastião
A capela de São Sebastião localiza-se na freguesia da Facha, Ponte de Lima. Não se sabe ao certo a data de construção deste pequeno templo. Especula-se que terá sido erguida aquando da construção do pequeno nicho que se encontra junto desta, datado de 1840.
É uma ermida de pequenas dimensões, com uma porta e duas pequenas janelas laterais. À entrada da mesma existe um alpendre. Encontra-se, actualmente, bem conservada e sem vestígios de abandono.
Situado junto à Capela de São Sebastião encontra-se um nicho dedicado ao santo padroeiro dos Caminhos, Santiago de Compostela.
Construído em 1840, possui um painel em azulejo com a figura de Santiago e, a rematar, uma cruz latina.

Cruzeiro da Pedrosa
Situado no Lugar da Pedrosa, freguesia da Correlhã, Ponte de Lima, o cruzeiro da Pedrosa é considerado um dos melhores cruzeiros maneiristas do concelho.
Construído no século XVII, em 1636, foi erigido a mando de Bráz Colosso Guerra, como está indicado na inscrição da base.
É um cruzeiro de granito, sobre uma plataforma de três degraus quadrangulares, de aresta, que suporta o conjunto da base, fuste e remate. A base da coluna é constituída por um paralelepípedo ao alto, com faces molduradas, todas elas ostentando inscrições que percorrem as almofadas centrais e os perfis rebaixados. A inscrição dos perfis consta de "BRAS COLA / SO GERRA / M(ANDOU) FASER / 1636, e a dos painéis centrais diz LOVVA / DO SEA / O SANT / ISSIMO / CRANTO".
Trata-se de um cruzeiro de carácter popular, mas possuindo uma certa riqueza decorativa ao fazer prevalecer dois grupos escultóricos. Por um lado, a representação da Virgem, com as mãos sobre o ventre, mantém-se muito presa à coluna e as roupagens amplas não permitem detectar o volume corpóreo, tornando-se assim uma imagem plana. No outro lado, uma imagem contorcida do Cristo que, contudo, já se destaca mais e denota maiores preocupações anatómicas, possuindo até um certo equilíbrio entre o tamanho dos braços em relação ao corpo.
Está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Ponte de Barros
A Ponte de Barros, provavelmente de origem romana, situa-se no lugar com o mesmo nome, freguesia da Correlhã, Ponte de Lima.
Esta ponte, em cavalete, faz a travessia do Rio Trovela.

Capela de Nossa Senhora das Neves
A Capela de Nossa Senhora das Neves, situada no Lugar de Barros, freguesia da Correlhã, Ponte de Lima, é um templo modesto e de pequenas dimensões. Não se sabe ao certo quando terá sido construída, todavia, pela arquitectura que apresenta, supõe-se que terá sido erguida entre os séculos XVIII-XIX.
Foi sujeita a obras de beneficiação e restauro recentemente, bem como toda a área que a envolve.
Possui planta longitudinal de nave única, precedida de alpendre, e capela-mor rectangulares, a que se adossa lateralmente uma pequena sacristia. O alpendre e a sacristia são mais estreitos e mais baixos que a nave. A cobertura do telhado é de duas águas na nave e capela-mor, de uma água na sacristia e de três águas no alpendre. Possui ainda duas portas: a principal e uma segunda porta, lateral, a qual se acede por um balcão de nove degraus de granito e gradeado. Por baixo do alpendre existe um púlpito com uma inscrição imperceptível.

Ponte de Lima
O concelho de Ponte de Lima pertence ao distrito de Viana do Castelo e localiza-se na Região Norte, no Minho Lima. Situado a cerca de 65 km do Porto, o concelho distribui-se por 51 freguesias.
Ponte de Lima abrange parte da bacia inferior do Rio Lima. As palavras diversidade e multiplicidade são as que melhor a definem, principalmente quando se trata do relevo, do clima, das paisagens e até dos costumes e tradições, fruto do engenho do homem na sua relação com o meio. Desta reciprocidade resulta um território humanizado mas onde os ecossistemas naturais se encontram razoavelmente preservados, constituindo uma mais-valia para o concelho.
Foi a Rainha D. Teresa quem, na longínqua data de 4 de Março de 1125, outorgou carta de foral à vila, referindo-se à mesma como Terra de Ponte. Anos mais tarde, já no século XIV, D. Pedro I, atendendo à posição geoestratégica de Ponte de Lima, mandou muralhá-la, pelo que o resultado final foi o de um burgo medieval cercado de muralhas e nove torres, das quais ainda restam duas, vários vestígios das restantes e de toda a estrutura defensiva de então, fazendo-se o acesso à vila através de seis portas.
Praça-forte de D. Pedro e D. Fernando, desempenhou um papel importante no tempo de D. João I.
A partir do século XVIII a expansão urbana surge e com ela o início da destruição da muralha que abraçava a vila. Começa a prosperar, por todo o concelho de Ponte de Lima, a opulência das casas senhoriais que a nobreza da época se encarregou de disseminar.
Ao longo dos tempos, Ponte de Lima foi, assim, somando à sua beleza natural magníficas fachadas góticas, maneiristas, barrocas, neoclássicas e oitocentistas, aumentando significativamente o valor histórico, cultural e arquitectónico deste recanto único em todo o Portugal.
Ponte de Lima é considerada quase como um museu vivo, repleta de legados de várias civilizações que aqui se fixaram desde tempos longínquos.
Merecem destaque, antes de mais, a ponte, de traça romana, com quinze arcos grandes e doze pequenos; o pelourinho, considerado monumento nacional; a capela do Anjo da Guarda, de estrutura gótica; a praça de Camões com o seu chafariz dos princípios do século XVII; o Paço do Marquês de Ponte de Lima, do século XV; a igreja Matriz, dos séculos XIV a XVI; a igreja da Misericórdia, do século XVIII, e a capela de Santo António dos Capuchos com um conjunto de azulejos hispano-árabes. Tanto na vila como nas suas imediações, existem vários solares de considerável valor patrimonial.
A agropecuária tem um papel preponderante na economia deste concelho. A propriedade rural encontra-se bastante dividida, marcando a morfologia da região e não permitindo muito mais do que uma agricultura tradicional. Utilizando um sistema de cultura baseado na policultura, planta-se o milho, a batata, vários produtos hortícolas e a vinha.