
Muralhas Fernandinas
Muralhas Fernandinas é a designação pela qual ficou conhecida a cintura medieval de muralhas da cidade do Porto, da qual somente pequenas partes sobreviveram até aos nossos dias. Cerca Nova e Muralha Gótica são outras designações que se aplicam às Muralhas Fernandinas mas que, apesar de cientificamente mais correctas, são menos correntes.
Durante o século XIV, o Porto encontrava-se em grande expansão urbana na zona circundante da Sé, protegido pela Cerca Velha, construída em cima do muro original romano. Este povoamento foi particularmente notável na margem ribeirinha do Douro, reflectindo a crescente importância das actividades comerciais e marítimas. Sentindo a necessidade de um espaço amuralhado mais vasto que o da Cerca Velha, começou a ser construída, em meados desse século e ainda no tempo de D. Afonso IV, uma nova cintura de muralhas que ficou praticamente concluída por volta do ano de 1370, já no reinado de D. Fernando, explicando a designação de "Muralhas Fernandinas".
Passada a sua importância militar, as muralhas começaram a ser progressivamente demolidas a partir da segunda metade do século XVIII para dar lugar a novos arruamentos, praças e edifícios. A maioria da muralha foi demolida já em finais do século XIX. Os troços sobreviventes das Muralhas Fernandinas foram classificados como "Monumentos Nacionais" em 1926.

Funicular dos Guindais
O Funicular dos Guindais é uma ferrovia ligeira da cidade do Porto que liga em apenas dois minutos a Batalha (Rua Augusto Rosa) à Ribeira (Av. Gustave Eiffel), com a possibilidade de desfrutar de uma vista soberba sobre o Douro e a Ponte Luís I.
O funicular original, projectado por Raul Mesnier, foi inaugurado em 4 de Junho de 1891, e encerrou dois anos depois devido a um grave acidente em 5 de Junho de 1893. Foi totalmente reprojectado pelo mesmo engenheiro, na tentativa de o repor em funcionamento, o que nunca chegou a acontecer.
No âmbito da operação de reabilitação urbana PORTO 2001/Capital Europeia de Cultura, foi proposta a sua reposição e projectado para o mesmo local um novo funicular. Do equipamento e sistema original só existe o primitivo edifício da casa de máquinas, tendo sido objecto de alterações face aos usos actuais.
Assim, um século depois, um moderno funicular abriu a 19 de Fevereiro de 2004.

Sé Catedral do Porto
A Catedral do Porto é um edifício de estrutura românica dos séculos XII/XIII que sofreu grandes remodelações no período maneirista e barroco entre os séculos XVII e XVIII.
No exterior conserva ainda o aspecto de uma igreja-fortaleza, com ameias, merecendo destaque a rosácea do século XIII. O corpo central da fachada sofreu, na parte inferior, remodelação profunda em 1722, de acordo com a inscrição.
O interior da catedral apresenta a forma de cruz latina, de três naves escalonadas e cinco tramos, transepto saliente e ampla capela-mor rectangular. Esta capela-mor é obra do bispo D. Gonçalo de Morais, do período maneirista (1606-1610). É revestida de mármores coloridos e a cobertura das paredes dos janelões é feita com pinturas em perspectiva do arquitecto italiano Nicolau Nasoni. O retábulo-mor de talha dourada é considerado um trecho capital para a introdução do barroco joanino no Porto.
Na capela do Santíssimo Sacramento destaca-se o "altar de prata", executado entre 1632 e o século XIX. É também considerado uma obra fundamental da ourivesaria portuguesa, com vasta iconografia bíblica centrada na eucaristia. O claustro foi iniciado em 1385, por iniciativa do bispo D. João III. Tem as suas paredes revestidas com painéis de azulejos do mestre Valentim de Almeida (1729-33), representando passagens do Cântico dos Cânticos. No restante espaço do claustro abrem-se ainda outras capelas e a sacristia. Esta última, ricamente decorada, apresenta elementos de pintura, escultura e talha do século XVIII.
Dos acontecimentos memoráveis na catedral, constam o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre em 1387, e o baptismo do infante D. Henrique.

Paço Episcopal
Da autoria de Nicolau Nasoni, é um edifício barroco implantado a Sul do Terreiro da Sé do Porto e mandado construir por iniciativa do bispo D. Francisco João Rafael de Mendonça, sendo que para isso foi necessário mandar demolir o antigo Paço. A sua construção foi bastante demorada, iniciando-se na década de 30 do século XVIII e terminado já no fim desse mesmo século, não permitindo ao bispo vê-la concluída ainda em vida.
De traços imponentes, majestosos e elegantes, mas não pesados, é um edifício com três andares de enormes tamanhos onde se podem observar dezenas de janelas barrocas.
O andar inferior é composto por doze janelas com grades de ferro. No primeiro e segundo andar repete-se o mesmo número de janelas, tendo as do andar superior um estilo rococó e varandas de ferro. Lateralmente as janelas têm molduradas com aparatosos frontões. No centro do frontispício assume posição dominante um monumental portal, de arco chanfrado com ornamentos em forma de pétalas e volutas, o qual é encimado por uma janela servida por um varandim curvo de ferro forjado.

Pelourinho
Aparentando ser uma relíquia bem antiga, esta coluna de estilo rococó não é mais que uma imitação de um pelourinho antigo, colocado pela Câmara Municipal do Porto no centro do novo Terreiro da Sé, em 1945, como remate das obras de reestruturação da zona envolvente da Catedral.

Igreja e Colégio de São Lourenço
(Igreja dos Grilos)
Popularmente conhecida por Igreja dos Grilos, é um conjunto de edifícios religiosos da cidade do Porto. Construídos pelos jesuítas em 1577 em estilo maneirista barroco-jesuítico, financiados por doações de fiéis e pelo Frei Luís Álvaro de Távora, aqui sepultado, a Igreja e o Convento de São Lourenço foram erguidos com forte oposição da câmara e da população. No entanto, os seguidores de Santo Inácio de Loyola acabaram por conseguir fundar o tão ambicionado colégio com aulas gratuitas, o que conquistou rapidamente um notável êxito.
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, por ordem do Marquês de Pombal, a igreja foi doada à Universidade de Coimbra até a sua aquisição pelos Frades Descalços de Santo Agostinho que ali ficaram entre 1780 e 1832. Vindos de Espanha em 1663, estes frades instalaram-se inicialmente em Lisboa, no sítio do Grilo, onde rapidamente ganharam a simpatia da povoação, adquirindo o nome de "frades-grilos", dando assim o nome à igreja onde permaneceram no Porto. Durante o Cerco do Porto, os frades foram obrigados a abandonar o convento, tendo este sido ocupado pelas tropas liberais de D. Pedro. O Batalhão Académico que Almeida Garrett integrava ficou lá instalado. Actualmente, o conjunto pertence ao Seminário Maior que o ocupa desde 1834.
A frontaria monumental da igreja é composta por dois registos com frontões, entablamentos, cornijas pilastras e janelas. No interior, a nave apresenta-se coberta por uma abóbada de granito, de volta perfeita e em caixotões. As paredes são sustentadas por largas pilastras toscanas, com nichos escavados no topo, onde se encontram as imagens dos Evangelistas e dos Apóstolos, em barro pintado. Pilastras clássicas enquadram o arco triunfal. Sobre o entablamento, de cornija muito saliente, ergue-se até à abóbada um frontão complexo, decorado com motivos jesuítas e flamengos e interrompido pelo nicho de São Lourenço.
A capela-mor é coberta por uma abóbada também de caixotões, que contêm cartelas guarnecidas com pedras. Nas paredes vêem-se pilastras jónicas de fuste canelado e, entre elas, estuques decorativos. Nesta capela existe um painel da autoria de João Baptista Ribeiro e a imagem de Santo Inácio, única na cidade. Na sacristia, com tecto de madeira apainelada, existe um retábulo e quatro quadros emoldurados com boa talha rococó, de finais do século XVIII.

Igreja da Misericórdia
A Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia instalou-se, inicialmente, na capela de São Tiago, no claustro velho da Sé do Porto. No entanto, em 1555, atendendo à beleza da Rua das Flores, aberta por D. Manuel alguns anos antes, mudaram para lá a Casa do Despacho, iniciando nesse mesmo ano a construção da sua igreja, que seria benzida em 13 de Dezembro de 1559.
A igreja foi reedificada em 1748, sendo reforçadas as paredes, construídas abóbadas novas e uma nova fachada, desenhada por Nicolau Nasoni em estilo barroco luxurioso do sul de Itália, já dominado pelas formas do rococó. Da antiga igreja preservou-se apenas a capela-mor.
A fachada caracteriza-se pelo virtuosismo da sua decoração. O interior do templo, apesar do aditamento decorativo barroco, nomeadamente no arco triunfal e à volta da cornija, mantém a austeridade que caracteriza a arquitectura maneirista.

Igreja de Nossa Senhora da Vitória
Situada na actual Rua de São Bento da Vitória, nos terrenos da antiga Judiaria do Olival, a Igreja de Nossa Senhora da Vitória é uma construção do século XVIII, inaugurada em Agosto de 1769.
Foi construída no mesmo local onde existia uma capela de pequenas dimensões que foi demolida para dar lugar a uma nova igreja, em 1638. Por sua vez, demolida também, o Bispo D. Frei António de Sousa mandou edificar a actual Igreja. Sofreu danos graves durante o Cerco do Porto (Lutas Liberais) tendo sido reconstruída em 1852. Um incêndio em 1874 destruiu o Altar-mor e a imagem da padroeira, obrigando a novas intervenções.
Num dos altares, existe a imagem de Nossa Senhora da Vitória da autoria de Soares dos Reis. No entanto, a cabeça foi retirada sendo substituída por uma outra, executada por um santeiro. Diz-se que o povo não gostava da original, provavelmente a reprodução do rosto da mãe do escultor, por ser muito humanizado.

Igreja e Convento de São Bento da Vitória
Fundado em 1598, o Convento de São Bento da Vitória viu começarem as obras de construção do edifício conventual, e respectiva igreja, em 1604, sob projecto do arquitecto régio Diogo Marques Lucas, discípulo de Filipe Terzi. A conclusão dos trabalhos foi, no entanto, muito demorada, arrastando-se, sensivelmente, até 1690.
A monumental fachada da igreja, do final do século XVII, divide-se em três registos, animados por pilastras que conferem ritmo à composição. De planta cruciforme, nave única com galilé, transepto saliente, e capelas colaterais intercomunicantes, a igreja reflecte as várias campanhas decorativas de que foi alvo, e que produziram obras de grande significado no contexto da história da arte portuguesa.
O retábulo de talha da capela-mor, executado entre 1716-19 e dourado entre 1722-25, constitui um dos exemplos mais relevantes de retábulo de estilo nacional joanino, com tribuna e alternância de pilastras com colunas. Por seu lado, as sanefas da capela-mor denunciam uma execução mais tardia e um gosto que deriva da influência das obras de Nicolau Nasoni. Os altares colaterais, com retábulos de talha, são datados de entre 1725 e 1728, enquanto os grandes retábulos situados nos topos do transepto, realizados pelos entalhadores José da Fonseca Lima e José Martins Tinoco, remontam aos meados do século XVIII.
No coro alto, o cadeiral de talha é uma das obras mais emblemáticas da arte da talha, executado por Marceliano de Araújo e Gabriel Rodrigues entre os anos de 1716 e 1719. Os painéis, esculpidos em relevo e emoldurados por talha rococó, relatam episódios da vida de São Bento.
O claustro principal, iniciado em 1608 e terminado entre 1725 e 1728, revela uma tipologia arquitectónica invulgar, utilizando motivos serlianos.
Ocupado pelas tropas invasoras e nacionais durante a Guerra Peninsular, o convento viu ainda as suas instalações transformadas em hospital militar. As ocupações sucessivas e a consequente má conservação do convento, delapidaram muito do património conventual, à excepção de parte do revestimento azulejar da nave da igreja que se encontra no Museu Municipal. Actualmente, São Bento da Vitória constitui um importante pólo cultural da cidade.

Antiga Cadeia da Relação
A Antiga Cadeia da Relação situa-se no Campo Mártires da Pátria e foi reedificada em estilo clássico em 1765. O edifício da Antiga Cadeia da Relação, onde hoje em dia está instalado o Centro Português de Fotografia no Porto, é um edifício de transição, oscilando entre o Rococó, o Pombalino e o Neoclassicismo, sem pertencer verdadeiramente a nenhum dos três estilos.
É um edifício sóbrio, constituído por três corpos, sendo o central levemente avançado. Tem aparelho no piso térreo sugerindo um embasamento; as janelas, de gosto Pombalino no primeiro piso, varandins no corpo central com portas próximas do Rococó e esquinas concavas. A fachada lateral possui uma varanda suspensa por mísulas, sendo a porta coroada por frontão curvo simples, e pilastras coroadas por um friso composto de triglifos e métopoas. A fachada, que na época estava virada para a cidade, possui frontão triangular, enquanto a frontaria virada no sentido oposto, na altura era apenas campo, não possui este elemento arquitectónico. Actualmente, o edifício parece-nos estranho porque posteriormente foi aberta uma praça nos terrenos vagos tornando o lado sem frontão na parte principal da edificação. O conjunto é elegante e sóbrio.
Junto à parede do lado do Olival, existe uma fonte, denominada de Fonte do Olival ou da Porta do Olival, por cima do qual emergem cinco consolas, que sustentam uma varanda a todo o comprimento da fachada, resguardada por uma grade de ferro. Por cima da cornija, flanqueada de troféus, vêem-se as armas reais. O escudo onde estas se inscrevem está também rodeado por troféus.
Pelas celas desta antiga cadeia passaram ilustres figuras portuguesas, como é o caso de Camilo Castelo Branco que lá escreveu a sua conhecida obra "Amor de Perdição".

Igreja e Torre dos Clérigos
A Igreja dos Clérigos é um emblemático edifício do barroco portuense, projectado pelo arquitecto Nasoni. A construção da igreja inicia-se em 1731, tendo as obras sido concluídas em 1750.
A história da Igreja dos Clérigos remonta à Irmandade dos Clérigos, instituída no Porto. A Irmandade resultou da fusão de três instituições de beneficência criadas na cidade durante o século XVII, com a finalidade de socorrer clérigos em dificuldades. A nova instituição acabaria logo por juntar, através de esmolas e outras dádivas, capital próprio, mas faltava-lhes uma casa própria ou uma igreja para as suas funções religiosas, pois na altura a instituição funcionava na Igreja da Misericórdia, no Porto.
A fachada revela-se uma composição cenográfica, escalonada em dois pisos e encimada por frontão recortado em ziguezague. É rasgada por janelas, nichos com estátuas e um portal nobre, elementos envolvidos por um túrgido e dinâmico jogo de formas decorativas barrocas, de cariz vegetalista e fitomórfico. O desnível entre a rua e a entrada é vencido por uma escadaria, levantada entre 1750 e 1754, da autoria de Manuel António de Sousa, de acordo com o plano do arquitecto italiano que seria alterado em 1827.
A nave desenha uma oval e possui um aspecto grandioso e amplo, contendo quatro altares laterais. A capela-mor, de formato rectangular, apresenta um magnífico retábulo de mármores policromos. Executado entre 1767 e 1780, este constitui um raro exemplo da arte barroca da Invicta.
A Casa dos Clérigos, enfermaria e secretaria, é igualmente obra de Nasoni e foi concretizada entre 1754 e 1759. Situa-se na parte traseira da igreja e apresenta a forma de um polígono.
Ex-libris da cidade do Porto, a Torre dos Clérigos faz parte da igreja com o mesmo nome, construída entre 1731 e 1763, a partir de um projecto de Nicolau Nasoni. Foi mandada erigir por D. Jerónimo de Távora Noronha Leme e Sernache, a pedido da Irmandade dos Clérigos Pobres.
Com uma altura de 75,6 metros, está seccionada em seis zonas repartidas por quatro andares, com uma movimentada decoração de motivos fitomórficos própria da linguagem escultórica do barroco. Virada para ocidente está a fachada principal da torre sineira, onde foi rasgada a porta de acesso.

Igreja do Carmo
Situada na conhecida Praça dos Leões junto à Igreja dos extintos Carmelitas, ergue-se a Igreja do Carmo ou Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, em estilo Barroco/Rococó.
Foi construída na segunda metade do século XVIII, entre 1756 e 1768, pela Ordem Terceira do Carmo. A construção do hospital começou mais tarde, só ficando concluído em 1801. Esta igreja está geminada com a Igreja dos Carmelitas, situada a Oeste, constituindo um volume único, embora se diferenciem as duas igrejas.
A frontaria está dividida em três andares. A separar os dois nichos que protegem as esculturas dos profetas Elias e Eliseu encontra-se o portal do templo. Acima destes abrem-se duas grandes janelas. Ao centro, Santa Ana protege e abençoa quem lá entra. Rematando a frontaria, pilastras laterais vindas desde a base reduzem-se a suportes das pirâmides e, lá no alto, junto ao crucifixo, erguem-se as estátuas dos quatro Evangelistas: São Marcos e São Lucas ao centro, e São Mateus e São João nas extremidades. A fachada lateral está toda revestida a azulejo, remontando esta modificação a 1911.
A fachada de cantaria, ricamente trabalhada, possui um portal rectangular, ladeado por duas esculturas religiosas executadas em Itália dos profetas Elias e Eliseu, rematado por um amplo frontão e, no corpo superior da frontaria, coruchéus e esculturas das figuras dos quatro Evangelistas.
Foi classificada como Monumento Nacional a 3 de Maio de 2013, em conjunto com a Igreja dos Carmelitas adjacente.

Igreja dos Carmelitas
Construída em 1616 e concluída em 1628, a Igreja dos Carmelitas ou Igreja dos Carmelitas Descalços localiza-se na freguesia da Vitória, na cidade do Porto.
A fachada de cantaria granítica possui três entradas com arcos de volta perfeita, encimadas por igual número de nichos, com as imagens de São José, Santa Teresa de Jesus e de Nossa Senhora do Carmo ao centro. O corpo superior contém três janelões, sendo o central de forma rectangular e os dois laterais com a forma de trapézio rectangular. A fachada é rematada com um frontão triangular encimado por balaústres. Possui uma torre sineira do lado esquerdo, revestida a azulejos monocromáticos da cor azul, rematada por uma cúpula em forma de bolbo.
O interior da Igreja dos Carmelitas é de planta de cruz latina, nave única, seis capelas laterais e um nártex na entrada. Destaca-se a excelente talha dourada, de estilo barroco e rococó, nas capelas laterais e no altar-mor.
Foi classificada como Monumento Nacional a 3 de Maio de 2013, em conjunto com a Igreja do Carmo adjacente.

Igreja de São Martinho de Cedofeita
Situada no centro da cidade do Porto, na freguesia de Cedofeita, impõe-se um pequeno mas notável templo românico consagrado a S. Martinho. Considerada a igreja mais antiga da cidade do Porto, não se sabe ao certo quando terá sido construída a igreja original, sendo, no entanto, pacífica a ideia de que será um resquício da povoação sueva, que se localizava em Cedofeita.
O actual edifício religioso foi construído no início do século XII, pois já em 1120 se tem conhecimento da existência desta igreja românica. No entanto, a pedra do tímpano do portal principal, cópia gravada em 1767, documenta a fundação do primitivo mosteiro, atribuindo-a ao século VI e ao patrocínio do rei suevo Teodomiro. Em 559, a igreja é consagrada pelo arcebispo de Braga.
O seu traçado apresenta uma planta rectangular de nave única, coberta com abóbada de berço e capela-mor, esta última encimada por abóbada semi-cilíndrica e de menor altura. Os capitéis das colunas do interior têm decoração de aves, animais fantásticos e motivos de cariz vegetalista, decoração que se repete nos capitéis do portal principal e nos laterais, formados por vários pares de colunas e pelas respectivas arquivoltas. Destaca-se a porta da fachada norte, com o tímpano preenchido por um baixo-relevo representando um Agnus Dei (Cordeiro do Senhor) sob a cruz e envolto por cercadura lobulada. Sobressai ainda na fachada principal um campanário de dois sinos, bem como duas cruzes, de diferentes desenhos, rematando as empenas da nave e da cabeceira.